A GRANDE QUESTÃO Nos momentos conturbados, nas horas difíceis ou complicadas, todos os detalhes são tomados em consideração. Não se pode dizer que, depois de mais de sois anos e meio a Guiné-Bissau vive horas paradisíacas e que tudo corre às mil maravilhas para todos os guineenses. Embora não se possa dizer que todos vivem a mesma situação; obviamente que o que para uns é ouro sobre azul, para outros, aqueles que nem o pão que o diabo amassou conseguem, a miséria é companheira de todos os dias. Por isso os sentimentos são diversos; o que se aplica aqui, não se aplica ali ou acolá; enquanto um odeia outro ama e assim por adiante. Mais, enquanto uns se acobardam perante as canseiras, outros batalham afincadamente pela sua honra e a da família para obter o mínimo de forma a manter a dignidade. Observei algures referências "abonatórias" sobre a "estirpe" de guineenses, corajosa, que aplica a lei de talião quando É LEVADA A ISSO. Quiçá essa "estirpe" em desaparição choca com a nova que pauta a sua actuação em padrões legalistas longe de actos que requerem o uso da força. É verdade, o guineense quando apanha pancada retribui. Quando é esbofeteado não oferece o outro lado da face, devolve a pancada com a mesma intensidade ou mais forte. Não receia morrer quando se propõe defender os seus direitos. PONTO FINAL. Mas, quando se trata de dizer a verdade o que é que sucede? Fecha-se em conchas. Dentre as muitas variantes peguemos esta: "Nha boka ka sta la" ou "n'ka tem nada la" ou "alguim tenê familia" são as expressões preferidas, sobretudo, para justificar o afastamento, a equidistância, em relação a qualquer questão ou problema que tenha a ver com o exercício da cidadania ACTIVA. QUE DEFINIÇÃO se deve dar ao actual SISTEMA DE GOVERNO na Guiné-Bissau? O Presidente da República: - Às vezes faz de Chefe de Governo; - Toma decisões em nome do Governo; - Institui ou acaba com qualquer prática unilateralmente; - Dá palpites em assuntos de foro judicial; A Constituição da República separa os órgãos nitidamente. O ideal nesta altura é que os que sabem ensinem aos que não sabem; os que entendem que ensinem aos que não entendem patavina do que se passa na política porque nunca é tarde para aprender quando houver intenção para tal. Mas, se não for o caso… a coisa se complica… os improvisos acontecem… rema-se contra a maré… E no cômputo geral os erros acontecem em cadeia… todos se zangam uns com os outros para, no final, como tudo o que começa acaba um dia, se chegar a conclusão de que a razão não estava onde se pretendia que estivesse… De qualquer maneira, não é demias lembrar um dito popular guineense que diz: FIDJU DI GUINÉ OSA MORTU I MEDI BARDADI (o guineense não receia a morte mas tema a verdade).