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Entrevista
NOVO LÍDER DO PS, DR. SECUNA BALDÉ AO «GN» «PS da Guiné-Bissau aposta na juventude» - 11-02-2014

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Article posté le 11-02-2014

23 anos após a sua fundação em França, pelo Dr. Cirilo Rodrigues de Oliveira, o Partido Socialista (PS) da Guiné-Bissau saiu renovado no seu 1º Congresso, realizado em janeiro deste ano, em Bissau. Dr. Secuma Baldé, 32 anos, foi escolhido como novo Presidente do PS, tornando-se no mais jovem político guineense a liderar uma velha formação. Formado em Turismo, Pós-graduado em MBA em Gestão Empresarial e de Pessoas, no Brasil, onde ainda exerce a função de diplomata, com a categoria de Ministro Conselheiro - sendo até então o mais novo nesta função - na Embaixada da Guiné-Bissau, na Brasília. O amor à pátria fê-lo abraçar a carreira política, onde os mais novos têm pouca participação e expressão.

Por Lay Korobó

Em entrevista exclusiva ao «Gazeta de Notícias» Dr. Secuna Baldé revela a sua maturidade,  determinação em tornar o seu Partido mais forte sob o lema: «É a vez da juventude. Nós podemos». E promete apresentar-se como cabeça de lista dos socialistas para as legislativas de 16 de março próximo.  

GAZETA DE NOTÍCIAS (GN) – Dr. Secuna Baldé, sendo tão jovem não teve medo de assumir tamanha responsabilidade, ao aceitar a liderança do Partido Socialista da Guiné-Bissau, que embora não tenha muita expressão eleitoral até aqui, não deixa de ter um nome grande?

SECUNA BALDÉ (SB) – Agradeço, antes de mais, esta oportunidade de expor as minhas ideias ao povo guineense. Para começar, devo salientar um facto muito importante. Penso que isso irá ajudar as pessoas compreenderem melhor o momento político que o país travessa. O  Partido Socialista (PS), como muita gente sabe, foi fundado em França, em março de 1991, pelo Dr. Cirilo Rodrigues de Oliveira. Um nacionalista e patriota que pertence  a geração de Amilcar Cabral. Ele deu muito a este país. Para nós no PS, por aquilo que fez na luta anti-colonialista, pela emancipação do povo guineense, é um combatente da liberdade da pátria. Entretanto, depois destes anos todos à frente do PS, o Dr. Cirilo entendeu que era chegado a hora de fazer a passagem de testemunha aos mais novos. Entregou o Partido à juventude guineense. Um gesto impar, que jamais será esquecido. Quando assistimos hoje, a luta renhida no seio doutras formações políticas, entre velhos e novos, pelo controlo  do poder,  poderemos ver a importância da atitude do Dr. Cirilo.

GN – Mas, conforme resoluções do vosso 1º Congresso a que tivemos acesso, o Dr. Cirilo Rodrigues é vosso candidato às eleições presidenciais previstas para 16 de março próximo. Isso parece contraditório com o que acaba de dizer?

SB – Não. Não existe contradição. Repare no seguinte, as eleições gerais de março próximo serão simultâneas: presidências e legislativas no mesmo dia. Pois bem, um Partido como o nosso, que quer afirmar-se no terreno, com novas ideias e novos projetos, tem que ir coeso para essas eleições. Eu também serei cabeça de lista e candidato ao cargo de primeiro-ministro, enquanto líder de PS. O Dr. Cirilo Rodrigues é  o  Presidente de Honra. O líder histórico e que doravante, não fará parte de nenhum órgão de direção do Partido. Mas é justo que como cidadão, pela sua idoneidade e experiência, seja apresentado ao povo como candidato do PS à presidência da república da Guiné-Bissau.

GN – E ele irá até ao fim?

SB – É uma pergunta que só a ele cabe responder. Ou ao seu diretor de campanha.

GN – Quem é o seu diretor de campanha?

SB – É uma figuram política que toda gente conhece. Trata-se do Dr. Joaquim Baldé, 2º vice-presidente do PS e Responsável pela Organização e Comunicação.

GN – Falando nisso, constava que o Dr. Joaquim Baldé pertencia  ao Partido Nova Democracia (PND), tendo inclusivamente participado no seu Congresso. Agora é um dos seus vice-presidente. como explica isso?

SB – Julgo que não tenho nada a explicar a esse respeito. Mas se  colocar a ele esta questão, acredito que ele terá uma resposta  para vos dar. O que eu sei, é que ele à data do Congresso do PS, assumia que estava livre de qualquer compromisso partidário. Como sabem, de acordo com a Lei, as pessoas têm a liberdade de entrar e sair nos partidos políticos, conforme a sua vontade. Para isso, basta apenas respeitarem os requisitos exigidos, que ao fim e ao cabo é a pura desvinculação e mais nada. Eu próprio também, inicialmente pretendia concorrer ao cargo de deputado, pelo referido partido, o PND. Cheguei a entregar os documentos de  candidatura mas, depois, surgiu este projeto que é muito mais tentador.

GN – Tendo em conta a existência de mais de 40 Partidos, num país tão pequeno, o PS  não será mais um, entre tantos outros?

SB – Acho que não. Repare numa coisa, disse Partido Socialista. Ora o PS não é mais um. É o Partido Socialista da Guiné-Bissau.  Em todos os países da Europa, onde a democracia é mais antiga, existe sempre um Partido Socialista. Em Portugal, França, Espanha, Brasil, Venezuela, Alemanha, Suécia, etc. apenas o nome é que varia, mas os Partidos são todos a mesma coisa. Comungam todos eles dos ideais da liberdade, democracia, justiça social e solidariedade. Estes são os princípios básicos dos socialistas do mundo inteiro. Também há Partidos Socialistas em África como no Senegal. Na América Latina existem quase em todos os países. No Brasil onde eu estudei, eu sempre tive muitos amigos entre os socialistas do Partido de Trabalho (PT). Não sei se sabem, eu sou  praticamente um filho adotivo do ex-Presidente Luís Inácio «Lula» da Silva, que tem muito carinho por mim. Somos membros associados da Internacional Socialista (IS) na qualidade de observador. E o Dr. Cirilo explicou-me que já foi convidado algumas vezes a tomar  parte em sessões da IS. Pois, o PS não é um Partido qualquer e nem é mais um. É muito mais que isso.

GN – Neste momento que acaba de assumir a liderança, quantos militantes tem o PS da Guiné-Bissau?

SB – Bem. Eu não lhe posso dizer qual é o número exato de militantes que o partido possui. Uma coisa é certa, tem militantes em todas as regiões do país. Senão, não poderia ter feito um Congresso com a participação de 200 delegados, vindos de todos os cantos do país, revelando um alto nível de organização. E a participação maioritária da juventude e mulheres. Agora, o que lhe posso assegurar é o seguinte, entre a data da realização do 1º Congresso, até hoje, o PS já tem um número muito elevado de militantes. Tem havido uma adesão massiva ao nosso Partido, particularmente da juventude, mulheres e na diáspora. Em Portugal, França e Espanha, quase todos os imigrantes guineenses são socialistas nos países de acolhimento. Vai ser muito fácil nos implantarmos nesses países.

GN – Com que meios financeiros e materiais vai o PS concorrer às próximas eleições de 16 de março, tendo em conta das dificuldades  existentes no país?

SB – Não vamos falar muito a esse respeito, o segredo é a alma do negócio. Na altura certa ficarão a saber quais são os nossos meios e a sua proveniência.

GN – O PS irá concorrer nas eleições sozinho ou  coligado com alguma formação política?

SB – Por enquanto só contamos com as nossas próprias forças e com a juventude. Mas estamos abertos às negociações... O PS é um Partido jovem para quem nada é impossível. Basta que haja vontade e organização que é o que não vai faltar.

GN – Sendo tão jovem, com apenas 32 anos de idade, o que é que o faz abraçar a carreira política, quando podia prosseguir na diplomacia, onde estava a ser bem lançado?

SB – A minha resposta é o amor que tenho pelo meu país, Guiné-Bissau, o sentimento de solidariedade e de justiça, para com os meus colegas de geração. Nós, os jovens, temos sido usados como cavalos de batalha, por quase todos os Partidos. É preciso mudar o país. A juventude não pode continuar a viver na miséria, sem uma educação de qualidade, sem emprego, sem qualquer perspetiva  de futuro, num mundo em rápida transformação. A Guiné-Bissau necessita de todos os seus filhos. Nós que cá estamos e os da diáspora, para que imanados, possamos mudar radicalmente  o rumo dos acontecimentos. Eu podia continuar no Brasil, calmamente a fazer a minha diplomacia quem sabe, até envolver-me em algum empreendimento promissor, já que tenho formação na área dos negócios e investimentos. Mas após profunda reflexão, quando surgiu esta oportunidade de dar o meu contributo, no meu país, num grande projecto político de futuro, não hesitei. E cá estou para liderar este grande projeto dos guineenses, particularmente dos jovens e mulheres.

GN – Um dos vossos slogans é: “É a vez da juventude. Nós podemos”. Quer explicar esta ideia?

SB – É simples. A maioria esmagadora da população do nosso país   é constituída por jovens. Mas a juventude guineense tem sido marginalizada ao longo dos 40 anos. Só se lembram deles no momentos das eleições: distribuindo-lhes comida; bonés; pagando-lhes bebidas nas bancadas para os manipular; enchendo as plataformas  e aliciados para irem votar. É claro que a juventude precisa de divertir. Mesmo os mais velhos. Mas o que é mais importante, não é ter a barriga cheia um só dia e passar fome  os restantes dias do ano. É preciso dar boa educação, boa formação profissional aos jovens, garantir-lhes emprego e fomentar um sistema de auto-emprego e promoção do investimento privado em sectores produtivos.

GN – Está confiante na vitória?

SB – Absolutamente confiante.             

GN – Quais são as suas últimas palavras?

SB – Bem. Vou terminar tal como iniciei. Agradeço esta oportunidade que me dão de poder falar livre e abertamente ao povo guineense, enquanto novo líder do Partido Socialista da Guiné-Bissau. Quero convidar a todos os jovens a continuar a aderir em massa a este novo projeto. Às mulheres guineenses quero deixar uma palavra de estima. Acreditem nos vossos filhos e irmãos. O futuro a nós pertence. O 1º vice-presidente do PS, Dr. António Jorge Mele, tem 37 anos de idade. Atrás de nós, temos o nosso irmão mais velho, Dr. Joaquim Baldé, de 58 anos. E também o nosso Presidente de Honra, Dr. Cirilo Rodrigues, o mais velho líder histórico do Partido, que será um bom conselheiro. Ainda temos muitos quadros formados em diferentes especialidades  na direção. Cada dia há mais gente a aderir. As nossas portas estão abertas. Brevemente, iremos inaugurar uma grande Sede Nacional do PS. Não gostaria de terminar, sem agradecer do fundo do coração, todos aqueles que nos têm encorajado a avançar com este projeto. Uma palavra muito especial ao Sr. Embaixador da República de Cuba no nosso país. E à Venezuela, onde atualmente se encontra no poder o partido Socialista Unificado, do Presidente Nicolas maduro, que muito tem feito, pelo povo irmão da Venezuela. Sob os auspícios do já falecido grande líder bolivariano, Hugo Chaves, que deixou uma obra social imensa.  

 

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