ANP CHUMBA AGENDAMENTO DO PROGRAMA DE GOVERO: GENERAL EMBALÓ A UM PASSO DA DEMISSÃO   |   O "PRESIDENCIALISMO" DE JOSÉ MÁRIO VAZ   |   Quem Ganha e Quem Perde Nesta Crise de Surdos?   |   2017 ano da reforma na administração pública e de trabalho   |   «Considero-me um cidadão político... cujo primeiro compromisso é com o país, a Guiné-Bissau» - Garante o escritor Fernando Casimiro “Didinho”   |   Rss Gazeta de Notìcias
Document sans titre
Entrevista
“AGIMOS NA PREVENÇÃO DE CONFLITOS” - DR. JOSÉ BALDÉ PRESIDENTE DA FDDD - 22-10-2012

Share |

Article posté le 22-10-2012

À frente do Fórum da Diáspora para Diálogo e Desenvolvimento (FDDD), uma organização que congrega associações guineenses em Portugal, Dr. José Alaje Baldé acredita que há pessoas interessadas em agir pela paz na Guiné-Bissau. Fez o curso de Engenheiro Agrónomo e doutoramento em Biologia, na Ucrânia.  Vive há mais de uma década no território português, onde já foi professor universitário, e atualmente exerce actividade empresarial na área da construção civil.

Recebeu-nos no seu gabinete situado nos arredores da capital portuguesa, Lisboa, onde forma pausada e coerente falou do presente, recordou o passado e perspectivou o seu futuro.

POR LAY KOROBO, EM LISBOA

- Dr. José Alaje Baldé preside o Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento (FDDD) da Guiné-Bissau. Fale-nos desta nova organização criada em Portugal?

J OSÉ ALAGE BALDÉ (JAB) – O Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento (FDDD) é uma associação apartidária, sem fins lucrativos, vocacionada a congregar todos os guineenses na diáspora, simpatizantes e amigos da Guiné-Bissau que consideram a “guinéndadi” como um interesse comum, independentemente da cor partidária, religiosa, da cor da pele e demais interesses político-pessoais. Tendo como objetivo fundamental o “diálogo” para a resolução e prevenção de conflitos.  

O FDDD tem, no fundo, algum engajamento político?

JAB – Não.

 – Após o golpe militar de 12 de abril de 2012, na Guiné-Bissau, o FDDD organizou manifestações e debates em Lisboa condenando o derrube do governo, anulação da segunda volta das eleições presidenciais e exigindo a reposição da ordem constituicional. Com que propósito realizam essas ações? 

JAB – Com o objetivo da defesa da democracia, da liberdade constitucional, do direito do povo da Guiné-Bissau para escolher, através das urnas, os seus governantes. O poder não deve ser conquistado através do golpe estado.

- Dr. José Alage Baldé tem alguma ambição política?

JAB – Todas as nossas atividades diárias estão ligadas a política de uma forma direta ou indireta, contudo sou apartidário. A minha ambição é ver a Guiné-Bissau como um país democrático, de direito, de respeito pela justiça, pela legalidade das instituições e pelo desenvolvimento.

- E se um dia surgir um convite de um partido político aceitaria integrar esse partido?

JAB – Eu aceitaria fazer parte de um partido no âmbito da legalidade constitucional.

- Aceitaria um lugar governamental em qualquer governo que não se baseasse em ilegalidades?

JAB – Nunca poderei participar ou assumir cargo algum em qualquer governo que não baseasse numa governação de transparência, ao serviço da defesa dos direitos da democracia, da liberdade do povo da Guiné-Bissau, à sua soberania e ao seu desenvolvimento. 

- Na sua opinião, porque é que a Guiné-Bissau se continua a viver em clima de instabilidade?

JAB – Eu, como cidadão guineense que tem estado a acompanhar todos os acontecimentos nos últimos anos na Guiné-Bissau, julgo que o clima de instabilidade é devido aos militares estarem coniventes com alguns políticos, que não conseguem chegar ao poder através do voto do povo.

- E qual será a solução para a saída desta situação?

JAB – A saída dessa situação, como disse, deve ser baseada no diálogo, na reforma profunda das nossas forças armadas, com apoio a comunidade internacional, forças armadas republicanas que obedeçam ao governo tendo o Presidente da república como chefe supremo das forças armadas. Também uma isenção total em ingerências na política partidária, servindo como garante da integridade territorial e soberania da nossa terra.

- Estudou agronomia e fez doutoramento na Ucânia?

JAB – Exactamente.

- Porque não voltou à Guiné-Bissau para dar a sua contribuição e decidiu emigrar para Portugal?

JAB – Eu não emigrei para Portugal. Enquanto terminava o doutoramento na Ucrânia (Kiev), tive alguns contatos com  instituições de investigação científica em Portugal. Depois da defesa da tese do doutoramento, vim para Portugal com o sentido de encontrar um projeto de investigação científica que pudesse ser realizado na Guiné-Bissau. Mas, não foi possível, resolvi ficar e procurar outras variantes.

- Em Portugal conseguiu exercer a profissão de engenheiro agrónomo que é a sua área de formação?

JAB – Bem, em Portugal eu consegui exercer na minha área, mas não como engenheiro agrónomo. Como biólogo e investigador científico, área que eu sempre gostei, gosto e gostaria de seguir, fiz varias buscas de contactos na internet, em varias instituições, mas houve somente uma possibilidade, depois da equivalência do diploma através da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) Através dum concurso consegui financiamento de investigação científica para pós-doutoramento. Fui enquadrado no Instituto Nacional de Investigação Agrária – INIA, concretamente na Estação Agronómica Nacional, em Oeiras. O projeto de investigação pós-doutoramento tinha financiamento inicial de seis anos. Mas, após três anos e meio, e já com vários artigos publicados relacionados com as teses do pós-doutoramento, houve falta de verbas. Acabei por procurar outros horizontes.  

- Deu aulas durante algum tempo numa universidade de Lisboa, qual?

JAB – Sim. Foi na Universidade Moderna. Foi numa das minhas tentativas do percurso da investigação científica e num período muito curto.

- Era professor de quê?

JAB – Biologia molecular.

- Antes de começar a leccionar teve alguma formação pedagógica?

JAB – Claro. Nós, quando da formação de pós-graduação, somos obrigados a um determinado números de horas de formação teórica pedagógica, assim como lecionamento prático, directo, na universidade aos alunos do primeiro ano de acordo com a especialidade e/ou disciplina. Aulas acompanhadas com um professor da disciplina em questão.

- É estimulante desempenhar a função de professor universitário?

JAB – Para mim é um enorme prazer, transmitir os meus conhecimentos aos jovens alunos. Mas não era um dos meus maiores objetivos, por isso não me dediquei ou procurei integrar-me em nenhuma universidade.

- Porque decidiu abandonar a função académica e abraçar o setor empresarial?

JAB – Como já disse, faltavam os meios financeiros que me permitisse continuar a investigação científica. 

- Quando fez essa mudança?

JAB – Foi no ano de 2005.

- Que tipo de trabalho começou a fazer?

JAB – Um amigo meu, “futuro patrão” contabilista de grande dimensão na altura, um português de naturalidade são-tomense, convidou-me a fazer parte duma empresa de prestação de serviços que ele tinha acabado de criar. Aceitei e trabalhei dois anos com ele. Um ano depois resolvi criar uma empresa idêntica e no ano de 2007, saí para trabalhar por  conta própria.

- Essa mudança de ramo de atividade, compensou em termos monetários?

JAB – Claro que sim. Passei a trabalhar para mim mesmo, com a minha esposa e, criámos um grupo muito sólido na área administrativa, financeira, comercial e operacional. Consegui comprar um apartamento mesmo sendo com um empréstimo bancário. Mais tarde comprei uma moradia, tendo pago 30% foram pagos logo no momento da compra. Contudo, nesse momento está muito difícil em todos os setores empresariais, não somente em Portugal, mas sim em todo o mundo, por isso nós também estamos muito baixo, em termos de sucessos.

- Nos momentos altos, quantos funcionários tinha e quantos são atualmente?

JAB – Já cheguei de empregar cerca de 357 trabalhadores, e isso é muito agradável, numa parte, sabendo que por cada pessoa que emprega, está indiretamente a ajudar entre duas a quatro pessoas, familiares dos nossos próprios trabalhadores. Atualmente, tendo em conta o mercado nacional, mantenho 45 pessoas. 

- Quais são as principais dificuldades que enfrenta?

JAB – As dificuldades atuais são bem conhecidas; a crise do nosso país,  a crise mundial, a falta de grandes infra-estruturas empregadoras, incumprimento de pagamentos e outros factores.

- Hoje em dia, o setor de construção civil está praticamente parado em Portugal devido a crise económica, que leva à falência muitas empresas do ramo. Como a sua empresa consegue enfrentar e sobreviver ao fenómeno?

JAB – Como referi, tivemos que diminuir drasticamente os nossos efetivos no escritório, abandonámos todos os clientes que estavam em risco, mesmo ainda com muitos valores para recebermos e mandámos todos os restantes trabalhadores para o fundo de desemprego. 

- Ainda há luz ao fundo do túnel do setor da construção civil em Portugal?

JAB – Acho que sim. Devemos acreditar sempre no futuro e ter  esperança que tudo se irá estabilizar. 

- Esta sua experiência contribuiu de alguma forma para o desenvolvimento do seu país, a Guiné-Bissau, ou restringe-se a apenas a Portugal?

JAB – Julgo que contribuiu muito pouco a nível nacional para a Guiné-Bissau mas que poderá contribuir no futuro, tendo em contas as experiências já adquiridas e a minha formação académica, assim como as capacidades e vontade que possuo.

- Portanto, tem perspectivas de investir no seu país, mas noutra área?

JAB – Há várias hipóteses de investimentos conjuntos programados com alguns empresários portugueses, mais tudo depende da estabilidade do país. Já adquiri um lote de seis parcelas (talhões) na Guiné-Bissau, ao longo da estrada que liga o aeroporto, à cidade de Bissau, pensando num futuro ainda não determinado.

 

COMENTÁRIOS
Document sans titre
E-mail:
Password:
 

Ainda não tem Área Pessoal?   » Registe-se
Esqueceu a password?   » Clique Aqui

0 Comentários

Pas encore de commentaire ajouté...
Entrevista

Entrevista

Entrevista

Entrevista

Entrevista

Entrevista

Entrevista

Entrevista

Entrevista

Entrevista

 

 

   
ÁREA RESERVADA
 
Document sans titre
E-mail:
Password:
 

Ainda não tem Área Pessoal?   » Registe-se
Esqueceu a password?   » Clique Aqui

   
   
   
EDITORIAL
 
 
   
Document sans titre
   
 
Gazeta de Notìcias, 2009 © Todos os direitos reservados - Design by CHRISTDOWEB