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Entrevista
“EXIGIMOS JUSTIÇA, E QUE O PRIMEIRO-MINISTRO SEJA CHAMADO A DEPOR SOBRE AS MORTES DE 2009” - IBRAIMA SORI DJALÓ, LÍDER DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA - 02-02-2012

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Article posté le 02-02-2012

O presidente interino do Partido da Renovação Social (PRS) Ibraima Sori Djaló, concedeu uma entrevista exclusiva a Gazeta de Notícia, onde abordou a situação interna do PRS e do país em geral.

O professor Ibraima Sori Djaló, que também é 2º Vice-presidente da ANP, reconhece a queda de confiança política do PRS no seio do eleitorado guineense nas duas últimas eleições legislativas (2004/2008), mas também assegura que o partido está preparado e em condições para concorrer às próximas eleições presidenciais e legislativas deste ano.

Em relação a presença da Missão militar angolana no país (MISSANG), Sori Djaló, disse que “o PRS é contra” a presença dessa missão no país, porque até agora desconhecem o objectivo dessa missão e questiona a razão de trazerem materiais bélicos como por exemplo canhão sabendo que o país não está em guerra. Neste sentido apela os políticos para que assumam as suas responsabilidades.

Mas diz que o ministro do Interior, com antigo dirigente da organização que lutou firmemente para que os direitos humanos sejam respeitados devia pedir demissão na sequência dos acontecimentos que ocorreram recentemente em frente do Ministério do Interior, onde os agentes da Policia de Intervenção Rápida mataram Iaia dabó, quando este se entregou voluntariamente.

Gazeta de Notícias (GN) - Há muito que se fala da eventualidade da reunião do órgão máximo do  PRS. Concretamente, quando pretende o PRS realizar o Congresso?

Ibraima Sori Djaló (ISD) – Possivelmente o Conselho Nacional vai se reunir no dia 28 deste mês e só depois dessa reunião é que vamos marcar a data da realização do congresso.

GN - O senhor será candidato à presidência dos renovadores, ou pensa apoiar uma outra figura do partido?

ISD - Ainda não sei e também não decidi nada ainda.

GN - Este ano é o ano das eleições legislativas. Os renovadores estão em condições de concorrer em todos os círculos eleitorais?

ISD - Com certeza, e sem qualquer dúvida, estaremos em condições para concorrer em todos os círculos eleitorais do país.

GN - Se as autarquias forem marcadas, o PRS participará?

ISD - Sim, vamos concorrer e estamos dispostos e preparados à participar em qualquer momento que o Governo marcar a data, nada nos impede de concorrer pois podemos reunir no prazo de um mês o órgão máximo do partido, a fim de delinear as estratégias para esse embate eleitoral.

GN - Os resultados das duas últimas eleições legislativas (2004/2008), apontam para a perda da confiança política do partido no seio do eleitorado guineense. Há explicação para esse facto?

ISD - Isso é verdade e o próprio partido reconhece essa queda, mas também já estamos a procura de soluções para inverter essa situação e voltar a ganhar a confiança do povo guineense. Pensamos que desta vez o partido vai subir ainda mais, porque no próximo congresso vamos rever a forma de fazer politica do partido.

GN - Está em preparação alguma estratégia para o embate eleitoral das próximas legislativas?

ISD - Ainda não temos nada definido e só no congresso é que vamos traçar estratégias para o próximo embate eleitoral, como também traçar planos que o partido deve seguir nos próximos tempos para inverter os resultados das duas ultimas eleições legislativas, pois está a cair cada vez mais.

GN - O PRS encabeça o fórum de partidos políticos da oposição que tem estado a exigir a demissão do chefe do Governo, Carlos Gomes Júnior. O executivo do PAIGC está a trabalhar mal?

ISD - Vou aproveitar mais uma vez para explicar a opinião pública nacional e internacional sobre a nossa posição face ao pedido de demissão do senhor Carlos Gomes Júnior ao defunto Presidente da República, para que tudo fique bem claro. O fórum de Partidos Políticos a que o  PRS faz parte e encabeça não está a exigir ou questionar o Programa do Governo, mas sim a exigir para que a justiça seja  feita e que o Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, seja chamado para depor sobre as mortes de 2009. 

Portanto como o objectivo do grupo é exigir para que a justiça seja feita, e não questionar a governação do PAIGC, por isso é que sempre nas nossas acções que realizamos como marchas e conferências de imprensa sempre pedimos justiça e em nenhuma circunstância questionamos o programa do Governo. Se isso era a nossa intenção fazíamo-lo na ANP e os  partidos sem representação parlamentar não tomariam parte.

GN - Quais são as razões que motivam a oposição democrática a apontar o dedo directamente ao Primeiro-ministro, como principal suspeito pelos assassinatos de 2009 e não outras figuras?

ISD - O que nos motiva é que, primeiro, o Primeiro-ministro afirmou que essas vítimas foram mortos por razões de Estado. Portanto, com essa afirmação, ele sabe muito bem o porquê, que essas pessoas foram mortas. Segundo, essas pessoas foram mortas, ele na qualidade de Primeiro-ministro ficou silencioso e não reagiu. Como chefe do Governo devia assumir as suas responsabilidades perante o povo guineense.

Relativamente a esse caso, só o tribunal é que pode ilibá-lo e não outra pessoa. Tudo o que estão a dizer a nosso respeito não tem a mínima importância. Somente o tribunal é que pode ilibar Carlos Gomes Júnior dessas acusações. Quero que fique bem claro, de que, nós a oposição democrática, estamos a fazer a pressão política para podermos saber quem são autores morais e materiais desses crimes e não estamos a fazer pressão judicial porque não somos juízes e nem fazemos parte do tribunal.

Uma das razões também porque exigimos explicações ao Primeiro-ministro, é que o antigo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, contra-almirante José Zamora Induta, depois desses acontecimentos criminosos afirmou ao público que, eles (militares) já tinham feito a sua parte e, que, para o resto que fosse questionado o executivo. Portanto com essas declarações ficou claro que eles ceifaram as vidas das pessoas a mando do governo.

GN - Certos críticos acusam a oposição de ter estado a tentar “incendiar” o país. O que pensa disso?

ISD - Isso não corresponde minimamente a verdade, porque se quisessemos incendiar o país podíamos tê-lo feito há muito tempo. Mas é do nosso conhecimento que as pessoas que estão a viver às custas do Carlos Gomes Júnior nunca vão falar bem de nós, temos a consciência clara disso. E se essas pessoas estão a dizer que nós estamos a tentar incendiar o país, se tivessem sido os seus pais, ou familiares que foram mortos temos a certeza de que essa não era seria a sua linguagem. Mas como estão a viver inocentemente à custa do CADOGO não sabem o que está a passar e pensam também que todos devíamos seguir pela mesma via. Mas nós não vamos por essa via, e podem continuar a criticar à vontade. Sabemos muito bem o que estamos a fazer, isso não vai fazer com que mudemos as nossas exigências, pois já nos habituamos a esse tipo de críticas.

A razão que nos levou a dizer que íamos incendiar a casa do falecido Presidente da Republica, é que ele nos disse que nós não estávamos a fazer nada para que o Primeiro-ministro saisse do cargo, então perguntei-lhe se ele queria que começássemos a incendiar pneus nas ruas, carros, casas e empresas de particulares... Se é assim que ele queria, dissemos na ocasião, então íamos começar primeiramente pela sua casa e para depois alastrar a outras casas. Foi essa resposta que nos motivou a dizer que íamos incendiar a casa do falecido Presidente da República.

GN - Que leitura faz o PRS, da conferência Nacional “Caminhos para a paz e Desenvolvimento”, que estava a ser apadrinhada pelo defunto Presidente?

ISD - O PRS não faz parte dessa conferência, porque entendemos que a iniciativa dessa natureza só pode ter lugar e efeito depois que a justiça for feita. Não se pode perdoar alguém sem saber o que ele fez para ser perdoado. No entanto, temos que saber, primeiro, quem são as pessoas que cometeram crimes e os que tiraram vidas das pessoas. Em 2007 foi dada uma amnistia e também ficou expresso de que a partir dessa data para frente todas as pessoas que voltarem a cometer crimes iam ser julgadas. Mesmo assim algumas pessoas continuaram a ceifar vidas das pessoas e mais uma vez voltaram com essa iniciativa “Caminhos para a paz e Desenvolvimento” para enganar as pessoas. Nós não vamos fazer parte dessa iniciativa.

GN - Recentemente houve uma sublevação militar, esperava que, na fase em que se diz que há estabilidade e desenvolvimento no país, pudesse suceder um acto dessa natureza?

ISD - Nós somos contra esse tipo de acto, porque em qualquer circunstância não tem enquadramento jurídico na ordem constitucional do país. Mas relativamente a sua pergunta, para dizer que o país caminhava para estabilidade e desenvolvimento, nós somos da opinião contrária pois no país não há justiça, e sem a justiça, em qualquer Estado do mundo, não pode haver estabilidade e nem tão pouco o desenvolvimento, porque a justiça, em si, constitui o pilar fundamental para o desenvolvimento de um país.

As pessoas não podem continuar a tirar vidas das pessoas e depois voltar a apelar para se pautar pela via da justiça e da reconciliação. Com esse tipo de atitudes nunca pode haver a verdadeira reconciliação no país. A verdadeira reconciliação só pode existir quando houver uma verdadeira aplicação da justiça.

GN- Na sua opinião, o que deve ser feito para evitar que no futuro situações dessas voltem a repetir-se?

ISD - Os políticos têm de afastar dos quartéis, e mostrar aos militares o seu papel; disputarem o poder nas urnas e não colar-se ao lado dos militares para atingir o poder, através da sublevação militar. Essa tentativa de levantamento militar até ao momento ainda não sabemos como começou e nem tão pouco como acabou. O primeiro-ministro disse que foi uma tentativa de golpe de Estado, mas o ministro que ele mesmo enviou para ir saber o que estava a passar nos disse que “não é golpe de Estado”. Até este momento não sabemos a verdadeira razão desse levantamento militar e só a justiça é que pode vir a esclarecer esse caso.

Não sabemos se foi uma tentativa de subversão da ordem constitucional ou se foi uma montagem, pois muitos acontecimentos do género que já tiveram lugar no país foram todos uma montagem para prender, matar e afastar as pessoas dos seus cargos para depois implementar os interesses pessoais e não do Estado.

GN - Que apreciação faz, enquanto dirigente político, da presença da missão militar angolana no país?

ISD - Já criticamos e demonstramos várias vezes a nossa posição face a presença da missão militar angolana no país. Até agora ainda não sabemos qual é o objectivo dessa missão; por que razão trouxeram materiais bélicos como por exemplo canhão, se o país não está em guerra. Tínhamos cooperação com portugueses, mas eles nunca trouxeram materiais bélicos.

GN - Quer dirigir alguma mensagem ao povo guineense?

ISD - A única coisa que quero acrescentar é que cada político assuma as suas responsabilidades. Não é admissível o que aconteceu recentemente em frente ao Ministério do Interior, onde os agentes da Policia de Intervenção Rápida tiraram barbaramente, a olho nu, a vida de um cidadão quando este se entregou voluntariamente, na presença do ministro deste pelouro. Afinal quem está a criar instabilidade no país? É o Governo ou a oposição? Com esse tipo de acto o ministro do Interior devia demitir-se, porque ele foi activista da organização dos direitos humanos; criticou várias vezes a actuação de governantes sobre os actos que punham em causa os direitos humanos.

Antão da Costa

 

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