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Entrevista
MINISTRO ARTUR SILVA FAZ “RADIOGRAFIA” DA EDUCAÇÃO NO PAÍS (3) “DAQUI A DOZE ANOS AS PESSOAS VÃO DIZER QUE VALEU A PENA FAZER SACRIFÍCIOS PARA CHEGAR ONDE ESTAMOS” - 02-08-2011

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Article posté le 02-08-2011

O Ministério da Educação Nacional, Ciência, Cultura Juventude e Desportos, é dos maiores pelouros do actual executivo. Tem duas Secretarias de Estado, e, as suas estruras estão espalhadas por todo o país, da parte continental ao insular. Ao todo, gere mais de 400 mil pessoas, entre alunos e professores.

Artur Silva, o ministro, concedeu uma entrevista exclusiva à GN em que faz a “radiografia” dos sectores sob a sua tutela.

-GN - Dizem que é difícil negociar com o ministro da Educação. O que tem a dizer?

- AS - É difícil de negociar com o ministro? Eu estou aqui para negociar, mas você negocia não com faca e espada no peito e as costas encostadas na parede. Entrega-se pré-aviso na sexta-feira às 14 horas, o trabalho acaba as 16 horas e encontra-se para discutir na segunda-feira que é dia útil e na terça-feira inicia-se ta greve. É isso que tem acontecido aqui. É preciso também compreender, eu negoceio mas é preciso haver alguém que venha negociar. Se você me dá um pré-aviso e diz que vai entrar em greve, eu tenho que aceitar não devo contrariar, está na lei… O problema é negociar… é preciso dizer as condições, como se vai negociar.

- GN - Duas questões: Qual é a pior coisa que lhe aconteceu na educação e qual é a melhor, desde que está em exercício nestas funções?

- AS - Eu não diria que me aconteceu a pior coisa aqui na educação. Acho que é apaixonante, é gratificante estar aqui hoje como ministro da educação, estar a cumprir uma missão do PAIGC, o partido que ganhou as eleições e que me escolheu para ser ministro da educação. Agradeço por me ter escolhido para ser ministro da educação e estou a exercer essa função com a maior normalidade possível assumindo a minha responsabilidade de trabalhar para melhorar a qualidade do ensino na Guiné-Bissau e deixar aqui uma marca, no sentido positivo, do que tem que ser feito.

De negativo eu acho que muitas pessoas não compreendem que o desenvolvimento do país passa pela educação, que nós todos temos que trabalhar para que isso possa acontecer. No dia em que as pessoas compreenderem que o mal deste país está porque os recursos humanos precisam ser formados com qualidade. A qualidade tem que ser, também, com qualidade da educação. Neste sentido acaba o mal totalmente neste país. Portanto, penso que o nosso mal é não reconhecer o papel que a educação tem. Posso assegurar que este governo fez e está a fazer muita coisa para a melhoria da qualidade da educação. É fácil construir uma casa e ter resultados de hoje para amanha, mas mudar mentalidades é difícil. Daqui a doze anos todo o esforço que estamos a fazer aqui, hoje, as pessoas vão dizer que valeu a pena fazer sacrifícios para chegar onde chegamos. Estou convencido de que o desenvolvimento da Guiné-Bissau passa, necessariamente, pela melhoria da qualidade dos recursos humanos. Podemos ter isso se conseguirmos melhorar a qualidade de educação. E é isso que nós estamos a trabalhar, é por isso que há o projecto educação para todos para melhorar a qualidade das infra-estruturas e questões de materiais escolares. Temos de alinhar nessa contribuição e intervenção. Apoiar a implementação de programas e acelerar o objectivo do milénio para o desenvolvimento para os parceiros da educação constitui prioridade que nós estamos a implementar aqui na educação.

-GN- Diz-se que o 12º ano introduzido pode ser um fiasco?

- AS - Não é um fiasco nada, sabe, o grande problema do ministério da educação, isso eu disse-o ao conselho de ministros, há muitos conflitos de interesses aqui no ministério e são justamente essas pessoas que têm falado em fiasco. Não vai ser fiasco nenhum, há um trabalho que está sendo feito.

-GN- Está satisfeito com o trabalho do Inde?

- AS - Eu estou, apesar das dificuldades. É dizer muito claramente, que o Inde tem mas tem feito um bom trabalho armou toda uma equipa… Eu gostaria de render uma homenagem aos técnicos do Inde e ao seu director que não têm poupado esforços nas suas actividades… É bom reconhecer que o Inde tem dificuldades mas mesmo assim trabalham. Se hoje há introdução do 12º ano, se hoje há revisão curricular do ensino secundário, é porque os técnicos do Inde trabalharam afincadamente e, hoje até agora estamos em falta em relação aos compromissos que assumimos para dar ao Inde aquilo que lhe é devido. Tomamos o compromisso de que quando acabasse o trabalho da revisão curricular iam ser pagos todo o trabalho feito mas, infelizmente, com as dificuldades que há não pagamos. É por isso que agora, como está a haver condições financeiras pouco a pouco nós vamos assim tentar liquidar as dívidas que nós temos com o Inde. Mas é bom dizer que o Inde tem feito um trabalho marcável. Inclusive, neste momento o Inde é que está a coordenar a nível da sub-região a introdução do currículo escolar da educação ambiental. O Inde é que está ligado à parte técnica dessa matéria. Dou ao Inde e aos seus técnicos muitos parabéns pelo trabalho que têm feito.

-GN - Qual é a mensagem que tem para os alunos pais e encarregados da educaçãoe, também paara os professores?

- AS - A mensagem é dizer aos pais e encarregados da educação que assumam as suas responsabilidades no que se refere as mudanças que têm vindo a acontecer. Há uma boa relação entre o ministério, o ministro e todas as pessoas da equipa do ministério com a associação dos pais e encarregados da educação. Mas, é preciso também que os pais e encarregados da educação assumam as suas responsabilidades no contexto da mudança que está a decorrer na Guiné-Bissau sobretudo no capítulo da educação. Há uma boa relação com a confederação nacional dos estudantes da Guiné-Bissau. Informamos que o dirigente da CONAEGUIB através do convite do governo está em China neste momento (na altura da entrevista), a participar numa formação dirigida aos dirigentes do sector educativo. Temos boas relações com a rede das associações das escolas privadas; há boas relações também com todas as redes das associações públicas; há boas relação com as escolas madrassas; e, há boas relações com as escolas comunitárias. É preciso apenas dizer às pessoas que, de facto, desde 2009 até aqui temos feito muitas mudanças, o governo fez muitos esforços para melhorar a qualidade do ensino na Guiné-Bissau e todos compreenderam que era preciso prever esse momento.

Aproveitava aqui para dizer muito obrigado aos parceiros da cooperação internacional, bilaterais e multilaterais por todos os esforço que têm sido feitos para apoiar o governo da Guiné-Bissau, particularmente o Ministério da Educação, na execução e na actuação no âmbito da sua política. Não vou mencionar um a um, refiro-me a todos eles, sem excepção, do fundo do coração, em nome do governo em nome de sua excelência o Primeiro-Ministro que todo esforço tem feito para apoiar o sector da educação na Guiné-Bissau e nós sentimos esse apoio e vê se claramente de que são poucos os pedidos feitos ao ministério da educação que não tem resultado positivo ou que não foram aceites.

É por isso que nós estamos aproveitando essa oportunidade para expressar a esses parceiros os nossos melhores agradecimentos…

Devo dizer o governo apropriou-se do sector educativo e não pensem as pessoas que quando se vem aqui é para castigar. Estou bastante satisfeito por estar aqui e estou a fazer trabalhos. Espero que o ministério da educação um dia pode ser considerado de sucesso vendo o trabalho feito aqui. Estou convencido de que há ainda muita coisa para fazer e dessa muita coisa para fazer o apoio de todos é bem-vindo.

É por isso que não há excepção. Aproveito aqui para saudar também à sociedade civil e às ONG’s nacionais e estrangeiras que têm trabalhado connosco, e todos os trabalhos que têm feito para a melhoria da qualidade da educação. Mas às vezes há alguma incompreensão. Nós deixamos a incompreensão é por isso que nós não vamos levar a mal porque as pessoas não compreendem o que nós estamos a fazer. Mas também nós não escondemos o trabalho que queremos fazer para que a educação na Guiné-Bissau seja uma educação de qualidade. O importante é a responsabilidade histórica de fazer formar recursos humanos de qualidade. E, isso de formar recursos de qualidade só se fará com homens e mulheres de hoje para que amanha possamos fazer resultados. Tal como ontem eu lembro, que o PAIGC lançou a palavra de ordem “ensinar, ensinar  e ensinar sempre…, educar  e educar sempre”, nós vamos continuar a trabalhar para que a educação na Guiné-Bissau tenha qualidade e isso já se vê claramente.

As pessoas querem, exigem mudanças rápidas, mas é com o tempo. Gostaria de aproveitar aqui para dizer que o banco mundial, união europeia e outros parceiros, sociedade civil sobretudo as ONG’s têm apoiado o governo na melhoria da qualidade das infra-estrutura. Só com boas condições de trabalho é que as pessoas podem fazer e dar o melhor de si. Temos vindo a verificar que os parceiros têm apoiado muito na melhoria das infra-estruturas. Vamos construir escolas e está previsto para o ano 2011 até 2013 a construção de mais de 400 salas e essas salas de aulas vão servir para a melhoria da qualidade do ensino na Guiné-Bissau. Também estamos a construir escolas de formação nas regiões como sabem vai haver três novas escolas de formação de professores uma em Buba para cobrir a região do sul; uma em Bafatá para região leste; e uma em Cacheu para cobrir região de norte. São escolas de formação para permitir que os alunos que querem abraçar a carreira de professor não necessitem vir para Bissau. Estamos a fazer também, nas regiões, liceus técnicos. Vai haver liceus técnicos em Biombo, Quinhamel; vai haver liceu técnico em Canchungo e vai haver liceu técnico em Québo. Também Bula vai ter uma escola técnica e cultural. Temos que criar condições para que as próprias regiões possam desenvolver actividades educativas. Também com a cooperação portuguesa estamos a melhorar o ensino da língua portuguesa na comunidade educativa. É preciso dizer claramente que o português é a língua oficial na Guiné-Bissau. As pessoas têm que aprender a falar português e têm que saber falar português, é por isso que nós estamos a exigir e colocamos os currículos escolares do ensino nacional, a obrigatoriedade de ensinar o português como matéria principal.

Também vou dizer claramente de que nós estamos no espaço da integração regional, e no espaço da integração regional, o francês também vai ser introduzido na comunidade educativa para permitir que seja uma língua de integração. A integração é importante. Estamos no espaço de integração e o francês como língua de integração temos de tê-lo no próximo ano. Está em curso a revisão curricular para introduzir o francês desde o 2º ciclo do ensino básico, obrigatório nas escolas, para permitir que as pessoas possam aprender nas escolas.

Não só isso porque hoje vemos grandes concursos em que os quadros nacionais têm que participar mas porque têm algumas dificuldades em francês não conseguem participar. Por isso vamos começar desde o ensino básico a ensinar o francês. Posso dizer muito claramente que a tarefa é alta mas estamos convencidos de que vamos atingir bons resultados. Aproveito aqui para agradecer aos directores regionais, aos directores dos liceus sobretudo dos liceus de Bissau que nunca pouparam esforço para apoiar o ministério naquilo que é necessário para a educação…. (FIM)

 

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