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Entrevista
“SE FOR NECESSÁRIO, DAREI A MINHA VIDA NO COMBATE AO TRÁFICO DA DROGA” - MALAM BACAI SANHÁ, ENTÃO CANDIDATO A PR, AO WALFADJRI - 17-06-2011

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Article posté le 17-06-2011

O PR Malam Bacai Sanhá, em Maio de 2009, então candidato à Magistratura Suprema da nação guineense, concedeu uma entrevista ao jornal senegalês Walfadjri, durante a qual falou da situação da Guiné-Bissau, expondo as suas ideias sobre a política nacional, as forças armadas, justiça, e diversos outros aspectos da Guiné-Bissau.

Mas, sobretudo, expôs o que fará SE FOR ELEITO.

Hoje, passados dois anos, a entrevista de Malam Bacai ao Walf é actual. Eis parte da entrevista.  

O sistema político guineense está, actualmente, entre as mãos dos militares. O que conta fazer para sair dessa situação?
Um militar, é antes de tudo um cidadão. Necessita duma vida condigna, como qualquer um. Não podemos pegar em três mil à quatro mil homens e metê-los, assim, numa caserna sem as mínimas condições de vida. E como eles são detentores de armas, se não lhes forem reunidas as mínimas condições para viver, vão, automaticamente, pegar nas armas para reclamar os seus direitos. E esta é a fonte da instabilidade no país. Para evitar que os militares saiam frequentemente das casernas, tem que ser criadas condições para que sintam que estamos preocupados com a melhoria das suas condições de vida. É preciso fazê-los desempenhar o seu verdadeiro papel no processo de desenvolvimento.
Acho também que devem ser efectuadas reduções nos efectivos das nossas forças armadas, porque não podemos ter forças armadas de cerca de cinco a seis mil homens que não podemos suportar. Temos que instituir forças armadas profissionais que podemos sustentar e que estamos seguros de poder equipar e vestir correctamente. As forças armadas também devem trabalhar no processo de desenvolvimento. Actualmente, a engenharia militar, noutros países, dão um valor acrescentado ao desenvolvimento.
Na Guiné-Bissau se os militares ficarem nas casernas sem comerem bem, nem vestirem bem e forem subutilizados, é obvio que vão pegar em armas.
Outra coisa, acho que os políticos guineenses devem assumir as suas responsabilidades. Se os políticos governarem bem, os militares, com certeza, ficarão nas casernas. Mas se não assumirmos as nossas responsabilidades, de governar bem o país, que é o dever de toda a gente, o provável é que os militares vão intervir no jogo político. Sobretudo, nós temos forças armadas muito política, que vem da luta de libertação nacional. Acima de 70 a 80% dos oficiais das forças armadas da Guiné-Bissau são antigos combatentes da luta de libertação nacional. Então, são parte integrante da história do nosso país. Se deixamos as forças armadas em condições difíceis, os militares vão pedir aos dirigentes os seus direitos para beneficiarem dos frutos da riqueza nacional.
São essas manifestações recorrentes das forças armadas para exigir melhores condições de trabalho que as pessoas chamam de «golpes de estado» ou «tentativas de golpe de estado».
Si eu for eleito presidente da republica da Guiné-Bissau, no dia 28 de Junho, próximo, vou redimensionar as forças armadas; vou reformar profundamente as forças armadas. Si for eleito, as forças armadas da Guiné-Bissau só recrutarão o número de soldados que poderá sustentar, vestir e equipar. Nós vamos construir uma força armada moderna e republicana que será subordinada aos homens políticos. Mas, (…) tudo será feito na base da dignidade e do respeito aos direitos de cada um. 

Doutro lado, o vosso país está minado por um intenso triáfco de drogas. Não receia que o próximo presidente da Guiné-Bissau seja obrigado a se entender com os narcotraficantes, para não viver as mesmas experiencias de Nino Vieira?
Se é para ser cúmplice dos narcotraficantes, não vale a pena apresentar-me às eleições presidenciais. Eu me apresento à magistratura suprema porque pretendo dar uma nova imagem da Guiné-Bissau. Um país sério não pode ser considerado como um país de narcotraficantes. A primeira proposta que farei, se for eleito presidente da república, para mostrar a minha determinação de lutar contra os narcotraficantes, é fazer votar uma lei pela assembleia nacional que penalizará o tráfico de drogas. E  é uma lei que será aplicada imediatamente após a sua promulgação. E tomarei medidas concretas para perseguir na justiça todas as pessoas implicadas no tráfico de drogas. Já é tempo de tomar medidas duras e deixar as declarações de intenções. 
A meu ver, a melhor maneira de lutar contra o tráfico de drogas é desenvolver o país. Actualmente, os nossos cidadãos vivem na miséria. Por exemplo, um agente da polícia que recebe 40 mil francos cfa por mês, e fica cerca de quatro meses sem receber o seu salário, se um traficante de drogas lhe der quinhentos mil francos para comprar o seu silêncio, é claro que ele vai deixá-lo passar. Portanto é preciso criar condições para que a corrupção não possa continuar e os que são encarregados de perseguir os traficantes possam fazer os trabalhos devidamente.
Mesmo que não houver grandes salários, o mais importante é que o salário seja fixo e regular. A arma que eu penso usar na luta contra o tráfico de drogas, será a lei para prender e julgar os traficantes e, paralelamente, promover o desenvolvimento do país. Os narcotraficantes só são poderosos quando têm cúmplices no seio das autoridades. Mas se não houver cumplicidade, os narcotraficantes vão desaparecer. Serei firme e nunca serei refém dos narcotraficantes. Se for necessário, darei a minha vida no combate contra o tráfico de drogas. O tráfico tem que acabar na Guiné-Bissau.

Se for eleito, que seguimento judiciário pretende dar ao duplo assassínio de Nino Vieira e Tagmé Na Waie? 

Após essas mortes, duas comissões de inquérito foram criadas. Há uma comissão de inquérito militar e uma outra a nível governamental. Mas, até hoje, essas comissões de inquérito encarregues de esclarecer esses assassinatos ainda não deram nada como resultados, ao menos publicamente. Sei que as comissões, estão a trabalhar, mas aguardamos ainda os resultados. Se for eleito, se as coisas continuarem a não andar, vou acelerar o processo. E, se achar que é necessário implicar a comunidade internacional no inquérito, fá-lo-ei. 

Os autores desse crime não ficarão impunes. Não se pode cometer crimes dessa natureza e ficar impune. Não é possível. Farei tudo para esclarecer esses assassinatos. Se for necessário, se houver dificuldades, farei apelo à comunidade internacional. Garanto que os autores desses assassinatos bárbaros serão punidos severamente. 

A Guiné-Bissau tem servido frequentemente de retaguarda aos rebeldes do MFDC. Se for eleito o que fará para por fim à essa situação?
Antes do mais, devo apontar que a Guiné-Bissau não pode continuar a servir de base de acolhimento dos rebeldes de qualquer país. A Guiné-Bissau não vai servir de refúgio para desestabilizar um outro território. Faremos tudo o que pudermos para resolver a situação em Casmance. Se nos for solicitado vamos implicar-nos no processo de busca da paz em Casamance. Mesmo os rebeldes que estão nas matas, em Casamance, sabem que hoje lutar pela independência de Casamance é uma utopia. Portanto, como é uma utopia, é um sonho impossível. Não vejo a razão porque as pessoas ainda estão nas matas. Não permitiremos que continuem a combater e pilhar os bens das populações nas fronteiras. Nós somos pan-africanistas, acreditamos na estabilidade do continente, na sua segurança e no seu desenvolvimento. E se for eleito presidente da república, eempenhar-nos-emos para isso. 
A Guiné-Bissau não servirá de base de qualquer movimento. Estamos prestes a dar o nosso contributo para uma resolução definitiva da situação em Casamance. Se for eleito, trabalharei em combinação com o presidente Wade. A Guiné-Bissau e o Senegal não podem ter problemas na fronteira.  Por isso, não daremos mais o nosso espaço nacional a qualquer um para desestabilizar Senegal. E, nós nos empenharemos para o retorno definitivo da paz em casamance. 

In walfadjri 15/05/2009                                               
 

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