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Entrevista
“O PAPEL DA OPOSIÇÃO QUE O NOSSO PARTIDO ESTÁ A JOGAR, NESTE MOMENTO, NÃO CORRESPONDE ÀS EXPECTATIVAS DO POVO” - CONSIDERA SOLA N’QUILIM NABITCHITA, DIRIGENTE DO PRS - 05-03-2011

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Article posté le 05-03-2011

“Reformar o Partido da Renovação Social não é um acto de cobardia e nem de vinganças, mas sim de inteligência e coragem, de maneira dotar o partido de instrumentos capazes de lhe permitir estar em pé de igualdade com as outras formações políticas, e não só, como também para poder servir melhor o partido, militantes, dirigentes e o povo guineense em geral” afirma o dirigente dos renovadores, antigo ministro da Agricultura, e antigo deputado da Nação, Sola N’quilim Nabitchita, durante a entrevista exclusiva que concedeu à Gazeta de Notícias para falar da situação política actual do país, do seu partido e do seu futuro político.

Gazeta de Notícias (GN) – Qual é a sua situação actualmente? Exerce actividades políticas?

Sola N’quilim Nabitchita (SN) – Sim. Aliás, desde que comecei a exercer as actividades políticas até hoje não parei. Talvez a vertente dinâmica no exercício das actividades políticas ou, melhor, a minha intervenção em diferentes assuntos políticos e sociais do país, não têm verificado como em tempos passados.

Fui dirigente e continuo a ser dirigente do Partido da Renovação Social, estou em todos os órgãos cimeiros do partido, desde o Conselho Nacional, Comissão Executiva e Comissão Política. A minha ausência na arena política nacional é notória, porque não estou no parlamento nesta legislatura. Mas, mesmo assim, continuo a fazer algumas actividades políticas a nível do partido e recordo ainda sobretudo que no mês de Janeiro deste ano organizei uma conferência de imprensa, onde lancei o apelo à reconciliação no seio dos renovadores. Nesse encontro com a imprensa pedi aos dirigentes, militantes e simpatizantes, no sentido de redobrarem os seus esforços para o bem-estar do partido. Isto é todas as pessoas que deixaram o partido, aquelas que por nossa causa deixaram de dar o seu máximo; aqueles que abandonaram sobretudo para se solidarizarem connosco. Queremos aproveitar esta oportunidade, mais uma vez, a fim de lhes pedir que voltem ao partido, dado que somente com uma união forte é que podemos alcançar os grandes sucessos. 

GN – Afinal, contrariamente ao que se dizia, não esteve fora de circuito do Partido da Renovação Social?

SN - Não. Nunca cheguei de estar fora do Partido, não obstante ter havido um problema da minha parte com o partido. Uma pessoa se encontra fora de circuito do partido, só se for expulsa, ou seja, se a própria pessoa pedir a sua demissão. Felizmente nem uma nem outra situação chegou de acontecer comigo. O que aconteceu é que resolvi fazer somente uma paragem em termos de exercício dinâmico, mas quero assegurar a todos os militantes e simpatizantes do nosso partido que já retomei as actividades políticas.

GN - Nas últimas eleições presidenciais, apoiou o candidato do PAIGC, Malam Bacai Sanhá. Porque é que não apoiou o candidato do seu partido, Koumba Yala? 

SN - Eleições presidenciais não é projecto do partido, mas sim é da pessoa que se apresenta. Se essa pessoa tiver bons projectos para o desenvolvimento do país, evidentemente que vai ser apoiado. No entanto apoiando o candidato de outro partido, isso não significa que a pessoa saiu do seu partido.

GN - Naquela altura o candidato do PAIGC apresentava melhores projectos, que o candidato do seu próprio partido?   

SN - Acho que qualquer político num determinado momento é livre de assumir aquilo que entende ser o melhor e foi isso que aconteceu. Não digo que é tão melhor assim... Mas decidi apoiá-lo tendo em conta a sua posição, em relação as outras candidaturas. Na primeira volta dessas eleições fui escolhido como director de campanha do candidato independente, João Cardoso mas, infelizmente, não conseguimos obter grandes sucessos devido à falta de meios de trabalho.

GN – O PRS venceu as eleições de 1999. Duas eleições legislativas se passaram e todas foram vencidas pelo seu maior adversário, o PAIGC. No seu ponto de vista, a que se devem esses fracassos?

SN - Há um provérbio que diz, “a união faz a força”. Nas últimas eleições não se verificou essa união. Houve uma grande rotura no seio do nosso partido, onde uma boa parte dos dirigentes estavam isolados e isso fez com que alguns até optassem por apoiar outras candidaturas. Portanto, era óbvio esperar que o partido não ia conseguir obter grandes resultados devido às suas contradições internas.

GN - O que esteva na origem dessas contradições internas?

SN - Uma das principais causas dessas contradições surgiu depois da realização do terceiro congresso ordinário do partido, onde um grupo de dirigentes se sentiu lesado e resolveu recorrer à justiça para impugnar o congresso. Na verdade essa atitude criou um mal-estar entre militantes e dirigentes, mas sobretudo criou situações de grandes contradições a nível interno. Essa foi a razão principal dos fracassos do partido, registados durante as duas últimas eleições, tanto a legislativa como as presidenciais.

GN - Para si o que é preciso fazer no seio dos renovadores, para poderem voltar a merecer a confiança do povo guineense nas próximas eleições legislativas?

SN - Penso que chegou o momento de todos os militantes, dirigentes e simpatizantes do partido se unirem para repensar numa nova forma de fazer a política, e dar novas orientações. Mas, sobretudo, é preciso estarmos unidos e coesos a fim de podermos enfrentar o próximo embate eleitoral. Precisamos de repensar o nosso partido e dar-lhe uma nova dinâmica, de forma a poder corresponder às exigências actuais. Essa nova dinâmica passa necessariamente por dotar o partido de novas estratégias políticas ou seja, reorganizar e reestrutura-lo para que possa corresponder às expectativas dos seus militantes, caso contrário vai continuar sempre na situação em que se encontra.

GN - Acha mesmo que é urgente reestruturar o partido?

SN - Sim, aliás, foi um dos apelos que fiz ao partido. No meu entendimento, reformar o partido não é um acto de cobardia e nem de vingança, mas sim de inteligência e coragem. É preciso dotar o partido de instrumentos capazes, que lhe permitam estar em pé de igualdade com as outras formações políticas, e não só, como também para poder servir melhor os militantes, dirigentes e o povo guineense em geral. Se deixarmos o partido na situação em que se encontra, na verdade não vamos estar a altura de acompanhar os acontecimentos, as movimentações políticas do país. Por isso, é urgente repensar e reestruturar seriamente o Partido da Renovação Social, a fim de poder corresponder às exigências da situação política actual da Guiné-Bissau.

Para mim, o papel da oposição que o nosso partido está a jogar neste momento não corresponde às expectativas do povo guineense, porque depois de muitas barbaridades que ocorreram nesta sociedade parece que nem chegou de existir um partido da oposição, sobretudo o PRS que devia dizer ao Governo basta(!) e, ao mesmo tempo, exigir que sejam traduzidos à justiça os responsáveis de certos actos criminosas que aconteceram neste país. Nesta óptica, o partido pode sair prejudicado com isso junto dos eleitores, dado que não conseguiu defender os interesses da sociedade que, no meu ponto de vista, tem a obrigação de fazer.

O partido pode obter uma grande compensação da parte dos eleitores guineenses se conseguir realmente jogar um papel de oposição credível, exigindo ao executivo respeito aos interesses do povo, bem como protecção aos cidadãos. Ou seja, não permitir que voltem a suceder acontecimentos macabros como os que marcaram o país negativamente no ano 2009 e 2010. Por isso é bom dotar o partido de homens inteligentes, competentes, oportunos e capazes de reestruturar e organizar melhor com o intuito de conseguir grandes resultados nos embates eleitorais.

GN - Na sua opinião na situação actual em que se encontra o país. Qual deve ser o papel da oposição, sobretudo do Partido da Renovação Social?

SN - A oposição tem um papel muito importante a jogar, sobretudo o PRS que é o maior partido da oposição e, ao mesmo tempo, é a segunda maior formação política do país, então, a sua voz pode ser ouvida em todos os cantos da Guiné-Bissau e não pode ficar calado sem pronunciar nada. Deve fazer uma posição clara sobre vários acontecimentos que passaram neste país. Nos últimos anos o povo testemunhou várias barbaridades que foram cometidas no país, assassinatos a sangue frio de muitas pessoas, altos dirigentes do país e do partido. Mas, no entanto, nenhuma agulha foi mexida. Assistimos ao rebentamento de uma bomba no Estado-maior General das Forças Armadas, que vitimou mortalmente o chefe do Estado-maior, mas até hoje não sabemos quem é que colocou essa bomba ali. Assistimos ao assassinato do Presidente da República e, também, até este momento não se conhecem os responsáveis desses actos. Assistimos ainda aos assassinatos de altos dirigentes políticos desta terra, nomeadamente Hélder Proença e   Baciro Dabó, que na altura era candidato às eleições presidenciais, mas também eles todos gozavam de imunidade parlamentar e só podiam ser presos na situação de flagrante delito, caso contrário, existem mecanismo que podem ser usados para que pudessem ser detidos.

Essas pessoas foram assassinadas a sangue frio e ninguém é capazes de reagir. Melhor, nenhum partido da oposição conseguiu exigir ao Governo explicações sobre a razão dos assassinatos desses dois deputados da Nação. Sabemos que o Governo tem a obrigação de garantir segurança a todos os cidadãos, independentemente da sua posição social, mas, infelizmente, o executivo não chegou tomar nenhuma precaução para evitar o segundo acontecimento que culminou com as mortes de Hélder Proença e Baciro Dabó tal como não conseguiu evitar os primeiros acontecimentos de Março de 2009. Nesta óptica o nosso partido tinha o papel de questionar, sobre as razões que motivaram essas situações, muito forte na base das normas estabelecidas pela democracia. Mas também, naquela altura houve espancamento em toda a parte e ninguém teve a coragem de criticar ou pedir explicações ao Governo.

Foram espancadas várias pessoas, inclusive um ex-primeiro ministro, esses actos de torturas e assassinatos obrigaram muitas pessoas que podiam dar as suas valiosas contribuições para o desenvolvimento desta terra a refugiaram em países da sub-região à procura de lugares mais seguros. Todos esses acontecimentos passaram nesta terra e a oposição mantém-se calada como se tudo estivesse a correr muito bem.

Um partido da oposição, bom, precisa de situar a comunidade nacional e internacional sobre um determinado acontecimento no país. Não é possível que haja um poder que tortura e mata as pessoas. Entretanto, se a pessoa que chefia todos esses actos cruéis em plena democracia, não permitiu ninguém falar, for retirada do seu cargo não é razão da comunidade internacional virar as costas à Guiné-Bissau que é um país muito pobre, que podia ser transformada num país da ditadura se por sorte o responsável desses actos não fosse afastado, a fim de permitir que o país voltasse a encontrar os caminhos da democracia. Nós copiamos a democracia dos países mais fortes, então entendemos que ninguém pode ter legitimidade ao ponto de poder tirar vida a uma pessoa sem possa ser afastado do seu cargo, porque é legítimo, e, isso leva a comunidade internacional a abandonar a Guiné-Bissau devido os acontecimentos de 1 de Abril.

Porque é que não abandonaram o país depois dos acontecimentos de 1 e 2 de Março de 2009? Como é que o chefe de Estado-maior deposto chegou àquele posto? Neste caso, o Almirante Zamora Induta, como é que conseguiu o posto de Chefe de Estado-maior? Será que ele é a pessoa mais indicada naquela altura para ocupar o posto? Mas isso não foi questionado. Um Chefe de Estado-maior foi assassinado a bomba e depois o Presidente da República foi assassinado, surgiu como Chefe de Estado-maior e fez pressão até o dia em que foi nomeado para ocupar esse cargo. Voltaram acontecer outros assassinatos em seguida perpetrados por pessoas que ele dirigia, aliás, provavelmente sob as suas ordens. Foi afastado do seu cargo de maneira a permitir que haja mais liberdade. Naquela altura mesmo eu que estou a falar aqui, não ia ter a coragem de expressar desta forma porque a noite iriam procurar-me. Será que a comunidade internacional na verdade quer ver o povo guineense a viver na paz, liberdade e democracia? Será que não temos o direito à vida, viver num ambiente de paz, democracia e liberdade?

GN - Qual é o seu apelo à comunidade internacional?

SN - Gostaria de apelar à comunidade internacional que repense a sua posição em relação a Guiné-Bissau. Em qualquer parte do mundo existe liberdade de expressão, divergências de opiniões. Em qualquer sociedade a coisa mais cara é a vida humana. Então, se houver alguém que ponha em causa esses valores, a vida, a paz, a liberdade, a democracia e essa pessoa deve ser colocada numa situação em que não vai ter a possibilidade de criar de novo esses eventos. A comunidade internacional deve repensar mesmo a sua posição, porque não há razão para abandonar a Guiné-Bissau só porque a pessoa que punha em perigo a democracia guineense foi afastada do seu cargo. Simplesmente essa pessoa foi afastada do seu cargo para o bem-estar do povo guineense, agora chegou o momento de ajudar esse povo e sobretudo na materialização do projecto da reforma do sector da defesa e segurança, num ambiente de paz, liberdade, através de um debate aberto. Se a comunidade internacional se mantiver firme nessa posição de abandonar o país, então dá a entender que não quer que os guineenses vivam num ambiente de paz. Por isso é que estamos a pedir para repensar as suas posições a fim de nos prestar apoio no projecto da reforma do sector da defesa e segurança, bem como apoio ao Orçamento Geral de Estado que decidiu igualmente suspender.

GN - O senhor é dirigente dos renovadores, foi deputado da Nação. Neste momento o seu partido prepara a realização do congresso que visa eleger novos órgãos sociais. Vai se candidatar ao cargo de presidente do partido? 

SN - Para dizer a verdade tenho várias solicitações de dirigentes e militantes do partido que me querem ver na liderança do nosso partido, mas não tomei nenhuma decisão e estou a pensar seriamente sobre essa possibilidade. Neste momento estou em permanentemente concertação com algumas pessoas e só depois é que comunicarei a minha decisão a todos os dirigentes, militantes e simpatizantes do nosso partido. Penso que tenho muita coisa a dar ao partido e até os dirigentes do partido sabem-no.

GN - Se vier a ceder às solicitações dos militantes que o querem levar à presidência do PRS, estará em condições de disputar com outros dirigentes como, por exemplo, Koumba Yala atual presidente do partido?

SN - Estarei em condições de disputar a presidência do partido com qualquer pessoa que seja, sem nenhum complexo. Aliás demonstrei isso por duas vezes. Se vierem a convencer-me juntamente com os meus próximos a aceitar esse desafio, mais uma vez acho que vou estar disposto à concorrer em pé de igualdade a presidência do nosso partido.                          

GN - Que análise faz da situação atual do país?

SN - Estamos a viver numa situação muito complicada neste país. Parece-me que os dirigentes que conseguiram a oportunidade de governar não aprenderam com a história do passado. Em vez de se corrigirem com os erros do passado, repetem os mesmos erros. Neste país as pessoas gostam de esconder a verdade.

Mesmo que as coisas não vão nada bem, dizem “neste momento tudo corre bem”. Isso demonstra o medo que as pessoas têm de enfrentar os problemas e debatê-los francamente a fim de encontrar soluções na base do diálogo.

Em qualquer parte do mundo todos os actores da governação têm que ter a mesma linguagem de forma a poderem materializar os projectos de desenvolvimento, mas se não há coordenação no seio dos actores de governação é difícil trabalhar nessa situação. Sabemos que é difícil trabalhar na base da desconfiança, isso é que está a acontecer hoje na governação da Guiné-Bissau. Mesmo com a maioria qualificada o PAIGC não é capaz de nos demonstrar que está a governar bem, porque cada vez se verificam contradições nos discursos dos seus dirigentes sobre diferentes assuntos e nem sequer conseguem garantir a segurança aos cidadãos. O PAIGC mostra-nos ainda que continua na guerrilha onde uma pessoa procura o seu colega para matar, e esquece que estamos na fase da democracia. Como é possível, em pleno século XXI, as execuções sumárias que se passaram neste país, com tantos meios de trabalho que existem actualmente, até hoje ninguém foi responsabilizado?

Hoje assistimos a subida de preços dos géneros da primeira necessidade devido a subida galopante da base tributária de todos os produtos, razão pela qual registou-se igualmente a subida dos produtos nos mercados do país. Estive a escutar um debate numa das estações emissoras da nossa cidade, há uma pessoa que recordou que havia um governo que tomou a iniciativa de retirar todas as taxas a certos produtos da primeira necessidade e os importadores traziam produtos até no porto de Bissau com taxa zero, mas só porque querem pagar salário obrigou-os a aumentar as taxas.

GN - O país beneficiou recentemente de perdão da dívida da parte do Banco Mundial e do FMI, num montante orçado em 1.2 mil milhões de dólares americanos. Para si quais são os benefícios que esse perdão da dívida trarão à Guiné-Bissau?

SN - Neste momento em todos os cantos do país se fala do perdão da dívida que o país beneficiou da parte das duas maiores institucionais do mundo, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional. O perdão da dívida é bom para o nosso país pois significa uma certa performance a nível da governação, mas devo dizer que esse perdão deve beneficiar igualmente todos os cidadãos desta terra e não somente um grupo de pessoas. Pode imaginar um punhado de 33 pessoas, uns com quatro anos de mandatos e outro com cinco anos vão receber ao longo da legislatura um subsídio de 5. 748 milhões F.CFA (cinco biliões e setecentos e quarenta e oito milhões de francos CFA), isso é só o subsídios e sem contar com os seus vencimentos.

GN - Quem são essas pessoas?      

SN - Estou a falar dos membros do Governo, veja só: cada ministro em quatro anos do seu mandato vai receber um montante de 144 milhões F CFA em subsídios; cada secretário de Estado em quatro anos vai arrecadar 96 milhões F CFA em subsídios; Primeiro-ministro em quatro anos vai receber também em subsídio um montante de 320 milhões F CFA; Presidente do Supremo de Tribunal de Justiça recebe igualmente 320 milhões F CFA em subsídios durante o seu mandato; Presidente da Assembleia Nacional Popular em quatro anos recebe 480 milhões de F CFA em subsídios; Presidente da República que em cinco anos do seu mandato vai arrecadar um subsídio orçado em 900 milhões F CFA.

No entanto são 33 (trinta e três) pessoas que vão explorar toda a fortuna da Guiné-Bissau. Acho que isso é uma distribuição discriminatória e irracional num país tão pobre como a Guiné-Bissau. Quando falamos de medidas de austeridade, devido a real situação financeira, os governantes são os primeiros a dar o exemplo, porque à partida usufruem de muitas outras regalias, mais que todos os outros funcionários públicos. Essas brincadeiras estão a acontecer e a oposição ficou em silêncio total. Mas, de facto, a oposição devia criticar essa iniciativa irracional do executivo e se for necessário convocar marchas, porque é um roubo que o executivo está a fazer.

Podem imaginar esse montante de mais de cinco biliões de francos CFA que o Governo vai gastar para subsidiar certos titulares de órgãos da soberania, ia servir para fazer muitas coisas para o bem-estar do nosso povo. Se pusermos dois bilhões de francos CFA no hospital Simão Mendes, dois bilhões na educação e um bilhão na agricultura, em duas campanhas agrícolas, com um trabalho sério erradica-se a fome na Guiné-Bissau.                                                                                                                                               

Assana Sambú

 

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