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Cultura
FALECEU A POETISA ALDA DO ESPÍRITO SANTO - 13-03-2010

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Article posté le 13-03-2010

Combatente da luta pela independência nacional, poetisa, considerada expoente máximo do nacionalismo são-tomense, pós independência. Alda Graça, morreu em Angola para onde foi evacuada desde a última semana por razões de saúde.

Morreu na terra dos seus compatriotas de luta pela independência nacional, como Mário Pinto de Andrade. Um dos nomes de Angola que Alda Graça muitas vezes citou nas suas intervenções públicas.

Alda do Espírito Santo, falecida terça-feira (9), por doença prolongada na capital angolana, foi uma mãe para a Nação são-tomense e “senhora nacionalista” que dedicou a sua vida lutando em benefício das crianças”, afirmou em Luanda, uma prima da escritora, Ilda Viegas.

Ela foi a criadora da letra do hino nacional de São Tomé e Príncipe, “Independência Total.

A poetisa que imortalizou o massacre de 1953 no poema TRINDADE, marca presença em todos os momentos de São Tomé e Príncipe, através da letra do hino nacional de que ela é autora. Expoente máximo da literatura são-tomense, uma referência nacional, que no entanto nunca aceitou elogios.

«Acho um exagero da vossa parte, porque eu não me considero monumento nenhum. O monumento é o povo, o monumento é o país, monumento é aquilo que nós queremos construir. De forma que a vanglória é qualquer coisa que não faz parte de mim mesma», disse Alda Graça em Abril de 2009, a quando da homenagem prestada a ela por ocasião do 83º aniversário.

A Mulher escritora que após a independência do seu país ocupou cargos de relevo no Governo da I República e que actualmente presidia a União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe.

Alda Neves do Espírito da Graça do Espírito Santo exerceu cargo governamental nomeadamente de Ministra da Educação, da Informação e Cultura. Integrou movimentos emancipalistas atinentes à independência das antigas colónias portuguesas.

Foi também deputada e presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe em dois mandatos consecutivos e até a data da sua morte era presidente da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé.

A nacionalista deixa uma vastíssima produção literária dispersa por livros, antologia e jornais são-tomenses e estrangeiros.

Alda do Espírito Santo criou a primeira geração de jornalistas do país e a União de Escritores e Artistas são-tomenses.

Foi também uma conceituada poetisa, tendo os seus poemas aparecido nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas do seu país, Angola e em Moçambique.

Nascida em Abril de 1926, Alda do Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, é uma figura emblemática da luta pela independência de São Tomé e Príncipe.

Avó Mariana

Avó Mariana, lavadeira

dos brancos lá da Fazenda

chegou um dia de terras distantes

com seu pedaço de pano na cintura

e ficou.

Ficou a Avó Mariana

lavando, lavando, lá na roça

pitando seu jessu1

à porta da sanzala

lembrando a viagem dos seus campos de sisal.

Num dia sinistro

p’ra ilha distante

onde a faina de trabalho

apagou a lembrança

dos bois, nos óbitos

lá no Cubal distante.

Avó Mariana chegou

e sentou-se à porta da sanzala2

e pitou seu jessu1

lavando, lavando

numa barreira de silêncio.

Os anos escoaram

lá na terra calcinante.

- “Avó Mariana, Avó Mariana

é a hora de partir.

Vai rever teus campos extensos

de plantações sem fim”.

- “Onde é terra di gente?

Velha vem, não volta mais...

Cheguei de muito longe,

anos e mais anos aqui no terreiro...

Velha tonta, já não tem terra

Vou ficar aqui, minino tonto”.

Avó Mariana, pitando seu jessu1

na soleira do seu beco escuro,

conta Avó Velhinha

teu fado inglório.

Viver, vegetar

à sombra dum terreiro

tu mesmo Avó minha

não contarás a tua história.

Avó Mariana, velhinha minha,

pitando seu jessu1

na soleira da senzala

nada dirás do teu destino...

Porque cruzaste mares, avó velhinha,

e te quedaste sozinha

pitando teu jessu1?

(É nosso o solo sagrado da terra)

BIOGRAFIA

Nascida a 30 de Abril de 1926 na cidade de São Tomé, Alda Graça do Espírito Santo, combatente da luta pela independência nacional, instruiu a nova geração pós independência, e pelas suas mãos de poetisa nasceram versos e rimas que sustentam o orgulho da República Democrática fundada em 1975. Uma referência nacional, que rejeita vanglórias e com humildade continua a batalhar pela conquista do progresso do país soberano.

Desde a juventude que Alda Graça do Espírito Santo vive na mesma residência na Chácara, arredores da capital São Tomé. Segundo ela só deixa aquele lugar quando for chamada para o eterno descanso no cemitério do alto São João.

Aos 83 anos, continua lúcida, inteligente, um verdadeiro depósito vivo de saber que continua alimentar gerações de são-tomenses. Foi professor da geração de são-tomenses, que gritou pela independência nacional.

Criou a primeira geração de jornalistas do país, e como poetisa imortalizou o massacre de 1953 no poema TRINDADE, que desde a independência nacional é recitado todos os anos e de forma arrepiante por uma voz feminina.

A poder poético de Alda graça está presente todos os dias, e em todos os momentos de São Tomé e Príncipe. O grito pela independência nacional, a unidade do povo no coro da esperança, é reflectido na letra do hino nacional de que ela é autora.

Membro do Governo de transição, como Ministra da Educação, Alda do Espírito Santo, foi também ministra da informação e cultura. Fez dois mandatos como Presidente da Assembleia Nacional Popular.

Criou a União dos Escritores e Artistas São-tomenses, onde continua a trabalhar na criação de novos valores para cultura literária são-tomense.

“Mataram o rio da minha cidade”, é uma obra de Alda do Espírito Santo, que desperta a atenção dos são-tomenses exactamente para a recuperação da capital e do rio que deu nome a toda a região de Água Grande.

 

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