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QUEM TEM MEDO DE BUBO NA TCHUTO? - 13-01-2010

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Article posté le 13-01-2010

O contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, antigo chefe do Estado-maior da Armada guineense, em cujos ombros impendem acusações de tentativa golpe de estado, subversão da ordem constitucional, deserção, regressou ao país no dia 28 de Dezembro tendo-se refugiado na sede das Nações Unidas.

Numa primeira reacção, o Governo revelou surpresa, no comunicado emitido a propósito, pelo que considera ser “regresso clandestino” de Bubo Na Tchuto por via marítima, a partir da Gâmbia, país onde o militar se encontrava asilado há mais de 12 meses.

Segundo as Nações unidas, o antigo chefe de Estado-maior da Armada ao entrar nas instalações das Nações Unidas em Bissau “sem aviso prévio” terá solicitado protecção, sob a alegação de que temia pela sua vida.

 José Américo Bubo Na Tchuto terá chegado a Bissau, num bote, na madrugada do dia 28 de Dezembro, após ter “escapado” à vigilância das autoridades da Gâmbia.

No dia 30 o Governo, através de um comunicado do Conselho de Ministros, exigia às Nações Unidas, após longos debates e análises, com base nas informações do sistema de segurança sobre o regresso de Bubo Na Tchuto, a entrega do antigo Chefe de Estado-maior da Armada para que seja julgado pelos actos de que é acusado, designadamente, tentativa de subversão da ordem constitucional, durante a magistratura do falecido Presidente João Bernardo Vieira.

Bissau, quiçá todo o país, ficou abalado, primeiro, pela inesperada notícia, posteriormente, pelo dispositivo militar mobilizado e colocado no perímetro da sede das Nações Unidas em Bissau, como se diz à boca cheia em Bissau, “para garantir segurança” dos citadinos e, também, para “garantir que o contra-almirante será traduzido à justiça para responder as pesadas acusações que sobre ele impendem”.  

Efectivamente, desde essa data os frequentadores da sede das Nações Unidas, mormente, os que a essa instituição prestam serviços, não têm tido vida fácil para tratar dos seus assuntos. Devido a “questões de segurança” como disse uma fonte da sede das Nações Unidas, “tudo está de pernas para o ar”. Até quando? Ninguém sabe. A resposta mais certa talvez seja, “essa situação vai prevalecer enquanto durarem as negociações”.

 Todavia as Nações Unidas, manifestam disponibilidade, segundo um comunicado tornado público quarta-feira, de se manterem “firmemente disponíveis para facilitar diálogos adicionais, que continuarão hoje, e criarão o caminho para que o Contra-almirante deixe voluntária e pacificamente as instalações das Nações Unidas.”

E, os resultados estão à vista. Das negociações saíu um acordo que permite a saída do oficial da sede da ONU em Bissau. Afinal, está-se cumprindo o adágio que diz “a conversar é que as pessoas se entendem”.

Enquanto isso, pela cidade e pelo país, por falta de pormenores sobre as negociações que estão a decorrer na sede das Nações Unidas, especulações vão ganhando vulto. E, nesse exercício, a memória colectiva recorda os acontecimentos que marcaram, negativamente, de forma indelével, este país. Vem à memória as crises cíclicas que têm afectado a Guiné-Bissau praticamente desde a sua independência, há mas de 30 anos. Na leitura simples do povo, as crises recorrentes que se sucedem não são mais que sinais de praga (maldição), porquanto, sempre que o país parece voltar à normalidade, depois da superação de qualquer “caso”, e as instituições voltam a funcionar nos parâmetros constitucionais dando possibilidade de sonhar com paz e estabilidade por longo tempo, acontece “algo” que vem estragar tudo.

Na altura em que sucede o “caso Bubo Na Tchuto”, teoricamente, todas as condições estão reunidas para pensar que, finalmente, o país tem pernas para arrancar. Isto, não obstante ainda haver muitos casos por resolver, nomeadamente no domínio da justiça, relativamente as mortes de altas figuras políticas registadas no ano passado, entre outras.

Todavia o “caso” do Contra-almirante tem contornos que não só têm a ver com a justiça militar mas, também, pode ter ligações outras que podem extravasar até ao âmbito da sociedade castrense, onde havia um interessante programa de reconciliação no seio das forças armadas (divididas durante o conflito político-militar de 07 de Junho de 1998/99).

Presentemente o clima no país voltou a estar tenso, a desconfiança volta a reinar, e a intranquilidade volta a imperar fortemente na sociedade. A questão que se coloca é esta: Há alguma razão para esse sentimento ou não?

Se se tiver em conta que durante todos os anos de independência os períodos de paz e de tranquilidade têm vindo a alternar-se com ondas de crises, de instabilidades, marcadas por actos de violência que até ceifaram muitas vidas inocentes… Então conclui-se que sim, na verdade, há motivos para ter medo do “caso Bubo Na Tchuto”.

Ibrahim Haidara

 

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