ANP CHUMBA AGENDAMENTO DO PROGRAMA DE GOVERO: GENERAL EMBALÓ A UM PASSO DA DEMISSÃO   |   O "PRESIDENCIALISMO" DE JOSÉ MÁRIO VAZ   |   Quem Ganha e Quem Perde Nesta Crise de Surdos?   |   2017 ano da reforma na administração pública e de trabalho   |   «Considero-me um cidadão político... cujo primeiro compromisso é com o país, a Guiné-Bissau» - Garante o escritor Fernando Casimiro “Didinho”   |   Rss Gazeta de Notìcias
Document sans titre
Cultura
JOSÉ CARLOS SCHWARZ HOMENAGEADO NA SUÍÇA - 10-12-2009

Share |

Article posté le 10-12-2009

No sábado 5 de Dezembro de 2009, em Genêbra, a Associação Solidariedade Guiné-Bissau – Suíça (SGBS) prestou homenagem ao autor, compositor, poeta e intérprete, José Carlos Hans Schwuarz, morto em Havana num acidente de avião, em Maio de 1977. Para marcar o evento do seu 60° aniversário natalício (06.12.1949), a SGBS resolveu alinhar aquele que foi um dos seus mais próximos amigos e confidentes : Ernesto Dabó.

 

Tecendo diligentemente o reportório do Cobiana Jazz e o do José Carlos, com os guitaristas Guto Pires e Carlos Waldemar e o percussionista Kandioura, num bloco coeso e edificante atrás do artista, a serenata prometia abrir uma faixa no céu ao encontro do José Carlos. O Café “La Romance”, disponibilizado para o efeito pelo seu proprietário, o Sr. Viriato Spenncer Alfaia, um guineense de corpo e alma, debordou pela afluência do público, rapazes e raparigas, vindos dos quatro cantos da Suíça, de várias outras comunidades estrangeiras sediadas neste país e de suíços amigos da Guiné-Bissau. Um caldo de mancarra servido como mandam as regras da arte, caldeou o ambiente já electrificado pela voz sublime do Ernesto Dabó.

 

Fora do Café, o vento corria sobre o passeio e o seu ruído até parecia uma queixa. Afinal era o fruto da nostalgia que berçara os cantos do Cobiana Jazz e formara toda uma geração de gente esperançosa que a voz do “Zé”, uma voz doce, mas de uma doçura cheia de resolução, uma doçura que não admitia réplicas, marcara para sempre. Mas, infelizmente, ninguém pode mudar o destino. É coisa feita lá em cima ... E jamais, em sessenta anos de vida impoluta, Ernesto Dabó esteve em melhor forma, devolvendo aos guineenses todo o seu amor próprio, toda a sua estima e estes não se fizeram rogados ao entoarem em uníssono, o reportório sobejamente conhecido do Papé bu iara, Ké ke minino na tchora, Tio Bernal, Apili, etc. Grande orador sacro e conceituado pedagodo, Ernesto Dabó não parava de explicar ao público admirador e sobretudo aos mais jovens, o historial das interpretações do “Zé” que todos sabiam cantar e poucos conheciam a essência.

 

A serenata acabou por conquistar outros músicos e a Alanan, com o seu sotaque crioulo muito divertido, quis interpretar “Kê ke minino na tchora”, a Betty, “Minino yabri si boca”, para recordar também a sua prima Celeste Pires que com a Assanatu Bari,  interpretava as canções do Cobiana ao lado do José Carlos Schwarz e do Aliu Bari. O Kôte, velho compositor – que já na tarde, ornado duma camisola confeccionada com a imagem do homenageado, participara na maratona de Genêbra, num malicioso piscar de olhos à assistência, apresentou “Cal coldade di amanhã” em canção que compôs, do mesmo poema do José Carlos presente nas “Mantenhas para quem luta”, primeira recolha de poemas editada em 1977 na Guiné, pelo Ministério da Cultura. A “Maria”, tema central do poema, de súbito pareceu sair da caixa da viola do Guto e dançar no estrado como outros faziam.

 

Lá fora, o tempo era de um verde escuro, quase negro, daquela cor misteriosa que é a cor da noite e dentro do Café reinava uma contagiosa alegria do Outono, que forçava pedir um whisky bem quentinho, ou uma chávena de chá, à loira do bar. A organização da SGBS funcionou como uma partição musical. Só que, criticar, quando se pensa ter a substância, só Deus escapa! Até que o bolamense Carlos Mendes “Ito”,  cheio de desaforro, teve a ideia de partilhar com o público anedotas que fizeram brilhar de lágrimas os rostos presentes.

 

O guineense, que depois de tempos se sentiu abandonado na sua natureza, abusado na sua boa fé, prejudicado nos seus interesses, de repente, entoando com os músicos os velhos sucessos do Cobiana,  pareceu ter recuperado a alegria de viver, a estima em si e a confiança no seu amor próprio, que anos e anos de incerteza conseguiram pôr em dúvida. No auge da serenata, alguém sugeriu mesmo que  : O José Carlos ressuscitou hoje!, mostrando tudo o que o povo pode imaginar.

 

E a foto do músico colada na parede até não conseguia desmenti-lo. No fim, um apreciador atento notou emocionado que existia uma total simbiose entre os artistas que abrilhantram a noite e  o público. Guto Pires, com os seus “feitiços”, não foi de certeza alheio à essa cummplicidade fraterna. E quando interpretaram “Pintcha camion” o tecto pareceu desmoronar-se.

 

O público, de pé, constituído na sua maioria por trabalhadores emigrantes, com os  peitos cheios de emoções, recordando a dureza do trabalho que são obrigados enfrentar todos os dias para puderem sobreviver e ajudar as famílias no país, respondia com uma certa amargura : “Y som cansêra! Y som cansêra!”    Ernesto Dabó, que guarda ainda toda a sua elegância, não usurpou em nada os constantes aplausos do público. Calibres desses deveriam merecer as mesmas atenções, como por exemplo as que foram dadas, pelos governos respectivos, ao Bonga, à Cesária Évora, ao Bana e à todas as vozes que berçaram jovens e anciãos em inspirações dignas de eternidade e que hoje percorrem palcos galvanizando o público europeu desejoso de descobrir os talentos do nosso continente. Para bom entendedor ...

 

Ao Ernesto só queremos desejar que continue o seu caminho e não desista. E se o “Zé” pudesse ouvir-nos lá acima, estamos certos de que encorajaria também o seu amigo a continuar a luta por um melhor reconhecimento dos seus valores. Porque para aqueles que não desistem e conservam os olhos limpos, o coração aberto e a boa vontadae, o público será sempre reconhecedor num país manso que é o nosso, manso como as ondas do mar numa manhã de bonança. Hoje, o José Carlos Hans Schwarz, saudoso e ao mesmo tempo sempre presente em todos os corações, através da SGBS, conseguiu reunir este país na diáspora helvética, à volta de um convívio único no seu gênero.

 

Agradecemos todos os que de perto ou de longe, directa ou indirectamente contribuíram duma maneira ou doutra para o franco sucesso desta noite de homenagem  ao José Carlos Schwarz, num convívio que podemos considerar um hino de amizade, um fruto do amor e uma réstea de esperança. 

 

Por : Adulai Injai e Norberto Tavares de Carvalho

 

 

COMENTÁRIOS
Document sans titre
E-mail:
Password:
 

Ainda não tem Área Pessoal?   » Registe-se
Esqueceu a password?   » Clique Aqui

1 Comentários

 
Commentaire posté par Klaus(Dinamarca) le 10-12-2009
Parabens SGBS, sinto-me orgulho de ser um guineense na diaspora, vendo os irmaos promovendo o nosso patrimonio cultural. continuem no mesmo caminho....... forca

Cultura

Cultura
- APELO - 27-01-2016

Cultura
- Minino di nha Terra - 27-01-2016

Cultura

Cultura

Cultura

Cultura

Cultura

Cultura

Cultura

 

 

   
ÁREA RESERVADA
 
Document sans titre
E-mail:
Password:
 

Ainda não tem Área Pessoal?   » Registe-se
Esqueceu a password?   » Clique Aqui

   
   
   
EDITORIAL
 
 
   
Document sans titre
   
 
Gazeta de Notìcias, 2009 © Todos os direitos reservados - Design by CHRISTDOWEB