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Reflexão
CHUVA DE RUMORES EM BISSAU - POPULARIDADE DE JOMAV AQUÉM DE ZERO - 31-10-2016

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Article posté le 31-10-2016

CHUVA DE RUMORES EM BISSAU - POPULARIDADE DE JOMAV AQUÉM DE ZERO

O PAÍS VAI MAL. No espaço de dois anos o actual Governo é o QUINTO Governo da legislatura. Há salários em atraso; o Executivo governa sem Programa nem Orçamento (o limite legal do recurso a duodécimos foi atingido); as escolas públicas estão encerradas devido a greve dos professores. A Assembleia Nacional Popular claudica; Circulam rumores inquietantes, do tipo “pode haver golpe de estado a qualquer momento para repor as coisas no lugar”, que agitam os cidadãos e a sociedade.

Por tudo o que acontece, o presumível culpado é José Mário Vaz, Presidente da República que demitiu Domingos Simões Pereira provocando a queda do primeiro governo da legislatura, facto que engendrou, consequentemente, a crise política e jurídica que se seguiu.

Os rumores, boatos e especulações existem para todos os gostos. Não são notícias jornalisticamente falando mas, são informações que apontam importantes elementos de observação e de análise da actualidade nacional, sobretudo.

Para dar alguma ideia do que se passa na Guiné-Bissau, quis trazer à luz algumas das considerações (leia-se atoardas) feitas nas ruas e nos bairros de Bissau, a forma como o cidadão vive, vê e cataloga a crise política.

 

O anúncio de José Mário Vaz de que, depois de regressar da cerimónia de investidura do seu reeleito homólogo de Cabo Verde cumpriria as formalidades da nomeação do novo Primeiro-ministro, deixou os cidadãos expectantes relativamente a figura de consenso escolhida.

CATORZE meses depois de despoletar a crise política, jurídica, econômica, social, etc., etc., o país e os cidadãos chegaram ao limite do sofrimento, aparentemente. A ténue luz no fundo do imbróglio político que envolve o país parte da mesa de negociações de Conakry patrocinada pela CEDEAO, sob os olhos atentos das Nações Unidas.

A crise política, à luz do acordo recentemente rubricado em Conakry, pelas partes envolvidas, pode estar na recta final. Por isso, é sujeito principal das conversas de rua, tascas, bancadas de bairros, enfim, de todos os locais em que se aglomeram gentes por qualquer razão em Bissau; essas conversas são fortemente apimentadas por elementos alegadamente probatórios de atoardas de diversas origens.

Ninguém, ou pouca gente, tem dúvidas sobre o poder que os rumores têm no quotidiano do guineense, em particular do citadino da capital, Bissau, fonte, berço, origem de tudo, de bem e de mal, que sucede no país.

O gosto dos políticos em fazer circular rumores é inquestionável. Os assuntos ditos sigilosos que extravasam dos conclaves partidários ao conhecimento público, reiteradas vezes, falam por si.

Tomam pulso para medir a temperatura o impacto na sociedade e a reação dos cidadãos relativamente a determinadas questões ou assuntos relevantes da vida nacional. De “alguim” para “alguim” alastra-se até ganhar proporções consideráveis de cobertura nacional.

 

E, hoje, aí está um motivo:  Diz vox populi "JOMAV atrasa a nomeação do Primeiro-Ministro". Porquê? Diz a mesma fonte, porque não concorda com AUGUSTO OLIVAIS, figura indigitada pelo PAIGC.

Os elementos dos rumores são muitos, mais a ligeireza de alguns, e, a exiguidade deste espaço condicionam a sua exposição in totum. Mas, contudo, não é de mais retratar uns dois a três rumores que, pretensamente, "explicam" o comportamento do Primeiro Magistrado do país no quadro da busca da solução para a crise vigente.

 

IMPOPULARIDADE DE JOMAV

Diz-se à boca pequena que a popularidade do Presidente da República caiu a pique dos primeiros tempos da sua investidura a data presente. Tem sido criticado pela forma como exerce a magistratura, a sua alegada pretensão de imiscuir em assuntos de governação mas, na verdade, o tom das críticas acentuou mais a partir dos instantes primeiros da demissão do primeiro governo da legislatura.

Alegadamente, a forma como tem evoluído na polêmica questão dos 15 deputados expulsos do PAIGC, também, não ajudou a elevar a sua quota de popularidade.

Presentemente, fala-se da sua suposta "fuga" ao encontro com o mediador da CEDEAO, presidente Alpha Kondé, em Lomé, Togo, que devia reportar-lhe as negociações de Conakry. Dizem rumores que JOMAV terá manifestado um súbito mal-estar que provocou a sua inopinada evacuação à Lisboa. Todavia, diz-se ainda, que poucas horas depois de chegar a capital portuguesa, depois dos exames médicos da praxe, ter-se-á recuperado e, até foi visto a passear algures.

Também fala-se de um alegado descontentamento dos seus pares da sub-região com a forma como tem tratado os mediadores da crise bissau-guineense.

OS DESACORDOS JOMAV vs BACIRO DJA

As atoardas não poupam ninguém em Bissau. O relacionamento de José Mário Vaz com Baciro Dja é "tratado" desde a altura em que este se demitiu das funções de Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Porta-voz do Governo, por alegadas desinteligências com o então Primeiro-ministro Domingos Simões Pereira. Rumores dão conta de que Dja terá beneficiado de um carro e dinheiro. Prémio pela posição assumida? Expressão de solidariedade? As mesmas fontes dizem ainda que JOMAV terá dado a Dja muito dinheiro depois da sua segunda demissão, quando o STJ declarou inconstitucional o seu governo.

O que estranha é o desentendimento entre as duas figuras ao ponto de ser frequente ouvir vozes na praça pública garantirem que "JOMAV ka osa tira Baciro Dja" (Falta coragem a JOMAV para demitir Baciro Dja). Fala-se num suposto "segredo fundo" entre os dois, que poderá ser revelado caso demitir o actual Primeiro-ministro. Verdade ou não, o certo é que Baciro Djá prometeu recentemente que se sair de manhã JOMAV sai a tarde.

Dos despachos institucionais, regulares, do Primeiro-Ministro com o Presidente da República pouco ou nada se fala. Pelos vistos a corrente já não passa entre os dois.

SOADAS SOBRE CEDEAO

Bissau ainda diz, que a CEDEAO pode já estar de paciência esgotada com José Mário Vaz devido a forma como tem estado a tratar as iniciativas no sentido de encontrar a saída ideal da crise, isto é, que reúna o máximo de consensos possíveis a partir de todos os actores implicados no processo.

Espera-se ainda esta semana em Bissau a chegada de uma missão da organização sub-regional, embora oficialmente, até este momento não tenha transpirado nada nesse sentido.

ATOARDAS EXTREMISTAS

Dessas não quero falar porque, em meu entender, retratam o estado de espírito dos cidadãos que, cansados de assistirem os mesmos filmes "chove não molha" e "molha mas não chove", avançam com hipotéticas soluções antidemocráticas como a "melhor via para colocar as coisas nos respectivos lugares". Não contam que o que menos deseja o povo é que aconteça a alteração da ordem institucional sem que seja pela via democrática porque, experiências passadas mostraram o quão prejudicial e penoso pode ser.

HORA DE REPOSICIONAMENTO

Abeirando-se do fim, as partes entram na fase de organização e reposicionamento. O PAIGC, sem sombra de dúvida, vai ter de redefinir as suas estratégias para os próximos tempos; a crise foi demasiado desgastante para ser esquecida e colocar de lado as ilações e os ensinamentos evidenciados.

Outrossim, por uma questão de cortesia política, vai ter que reconhecer os partidos que se colocaram ao seu lado durante a crise política. Alguma coisa hão-de obter como prémio no aparelho governamental.

O mesmo se pode dizer do segundo partido mais votado, PRS, em dificuldades para manter as suas estruturas ante a forte presença no novo Partido, Assembleia de Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que das suas fileiras retirou uma boa porção dos seus simpatizantes, militantes e dirigentes. Este dado novo deve ser devidamente equacionado e tratado para que não tenha consequências gravosas para o seu crescimento ou, na melhor das hipóteses, garantir a sua manutenção como segunda força política.

Indubitavelmente, os 15 deputados expulsos do PAIGC vão ter de rever a sua estratégia para recuperarem os respectivos lugares e, quiçá, o respeito e as regalias de que desfrutavam antes da crise. Diga-se o que se disser, o grupo tem influências nos órgãos do Partido que, por mais pequenas que sejam, não devem ser menosprezadas. Além disso, não é aconselhável a persistência de conflitos entre as partes com o aproximar de mais um Congresso, e, das eleições locais e legislativas aprazadas para 2018. Manda o bom senso, como disse um militante, que haja união para que as metas que vierem a ser traçadas possam ser alcançadas satisfatoriamente.

A Hora é de procura de soluções ideais adaptadas à conjuntura actual de forma a fechar o ciclo de crises que muito mal tem feito ao país, e, nem sequer foi de grande utilidade para os actores que têm evoluído nos diferentes cenários que se têm sucedido. Justifica, neste caso, parafrasear Amílcar Cabral: “Quem não entendeu isso, não entendeu nada ainda.”

Humberto Monteiro

 

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