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“Toka-Toka”: servindo o povo entre elogios dificuldades e depreciações - 30-10-2015

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Article posté le 30-10-2015

“Toka-Toka”: servindo o povo entre elogios dificuldades e depreciações

 

TOKA-TOKA é o transporte urbano mais usado de Bissau, mais barato, mas também o mais agitado. Começa a circular às 06 horas e só pára entre às 21 e 22 horas, das periferias ao centro da cidade. Todos passam pelo maior centro comercial do país, o Mercado Municipal de Bandim, onde se vende de tudo para todos os gostos e necessidades, e, em função de qualquer situação financeira.

“Dundu” ajudante de Toka-Toka de uma das linhas mais movimentadas, diz que acorda muito cedo e antes das 6 (seis) horas tem que ter o carro pronto. E ele explica-se: “Verifico principalmente o óleo, água, os pneus”, antes do mestre pegar o volante.” Liga a “aparelhagem” (radio que leva pendisk, recheado de músicas modernas) para animar os passageiros. É ele que faz de cobrador. Diz que as receitas variam muito mas não diz o montante exato: “Só posso dizer que fazemos entre 25 a 35 mil francos cfa diariamente. É segredo sabe!”

De manhã o mata-bicho é um prato de “Futi” (arroz regado com óleo de palma acompanhado de alguns ingredientes típicos como candja, djagatu, e bem pimentado). Entre às 13 e 15 horas arranja-se, sempre, um intervalo para comer um prato de “caldo branco” ou “caldo de bagre fumado”.

Conforme as orientações da Direção-Geral da Viação e Transportes Terrestres, que regula a circulação dos transportes no país, os Toka-Toka circulam em sete (7) linhas: Antula Bono, Aeroporto (Bissalanca), Enterramento (Bairro de Enterramento), São Paulo (Bairro de São Paulo), Bairro Militar (Bairro de Militar), Quelelé (Bairro de Cuntum Quelelé), Madina (Bairro de Cuntum Madina), Pessaque (Bairro de Pessaque).

Todas as linhas terminam obrigatoriamente a carreira no matadouro municipal, ao fundo da Avenida Brasil. Nenhum Toka-Toka pode circulam noutra linha (isso é considerado uma transgressão e passível de multa pesada), e nem no centro da cidade.

Na zona chamada Paulo Barros, a via que liga o bairro de Mindará, zona do Mercado de Bandim ao Porto de pesca, circulam viaturas de quatro lugares que foram autorizadas a carregar cinco passageiros. Nelas o custo da passagem por pessoa é de 150 francos cfa.

É o meio de transporte público mais usado na capital -  Bissau.O passageiro paga apenas 100 (cem) francos CFA do ponto de partida ao fim da carreira, mais barato que o Táxi, cujo preço mínimo, conforme a tarifa em vigor, oscila entre 200 a 250 francos CFA. Os 200 francos CFA  são admitidos muitas vezes devido a dificuldades para encontrar moeda de 50 francos para passar troco. Mas, na realidade nem todos os taxistas aceitam que uma corrida seja paga por 200 francos cfa alegadamente devido ao mau estado das vias rodoviárias.

As marcas predominantes nos Toka-Tokas são Mercedez Benz, os famosos “Gri-Gri” por serem, supostamente, mais altos e mais resistentes; seguindo-se os Toyota Hiace e Nissan Urvan. Ocasionalmente observam-se uma ou outra marca mas, a maioria dos Toka-Toka são mesmo Mercedez que, segundo os condutores são preferidos porque “já deram provas de resistência nas péssimas estradas de Bissau”.

As melhores vias de circulação para Toka-Tokas e Táxis, são a Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria que liga o aeroporto internacional de Bissalanca e São Paulo à Chapa de Bissau; a via que liga Chapa de Bissau ao Bairro de Antula Bono, e a via do Bairro Militar – Chapa de Bissau. É ali que circulam as viaturas mais novas, mais confortáveis.

As piores vias são Madina, Cuntum Queléle e Pessaque. A linha de Cuntum Madina está quase desprovida de viaturas devido ao péssimo estado da estrada. Nestas vias circulam muitas viaturas em estado avançado de degradação. “Pouca gente se arrisca a colocar viaturas novas para se estragarem de dia para outro.”

Os moradores desse Bairro bastante penalizados levam horas para conseguirem lugar nos poucos Toka-Tokas que servem essa via. No fim do dia, nas horas em que os agentes da Polícia de Trânsito não estão presentes, sempre surgem Toka-tokas de outras vias, sobretudo do aeroporto, são Paulo ou Bairro militar, para facilitar o regresso dos moradores ao domicílio. Para conseguir lugar, trava-se uma autêntica batalha, distribuindo cotoveladas e empurrões.

Os Toka-Tokas além de facilitarem a circulação dos citadinos de Bissau são, também, as maiores fontes de rumores e o meio onde circulam rumores sobre os mais variados assuntos da vida da República. “Muitas vezes, os passageiros chegam a vias de facto por divergência de opiniões” diz o ajudante sublinhando que recentemente no “puxa-puxa” entre o Presidente e o Primeiro-Ministro de manhã a tarde separavam mais de cinco brigas ou trocas de insultos entre os partidários das duas personalidades.

“Todos os dias há gente que briga pelos mais insignificantes motivos.” Interrogado porquê “Dundu” explica: “Sabe, nem toda a gente a paciência, a compreensão para suportar uma pisadela, um empurrão no carro, sem se exaltar. Mal são pisados insultam ou reagem com mau modo se houver resposta a altura da outra parte então é briga certa.”

Nem toda a gente anda nos Toka-Tokas por se acharem superiores aos restantes. Este entendimento do ajudante é bastante questionável mas ele entende que é assim mesmo porque “às vezes há pessoas que reagem mal ao nosso apelo para embarcarem no nosso carro e perguntam-me: Achas que tenho cara de quem anda no Toka-toka? 

Os “chofers” de Quelelé reclamam o mau estado da estrada que além de obriga a idas constantes à oficina, provoca-lhes dores de corpo. “Levantar de manhã, custa muito”, diz “Mêtre” (pronuncia francesa de mestre – MAÎTRE). “O Estado, pelo dinheiro que ganha com o Fundo Rodoviário, podia ao menos lançar aterro nos buracos. Muitos proprietários pararam os seus carros. Por isso é que faltam Toka-Tokas nalgumas vias.”

Este “Chofer” nega terminantemente que eles é que conduzem mal nas vias públicas. E lança a culpa a quem? Aos Taxistas obviamente: “Os taxistas estão sempre apressados porque têm a preocupação de completar a receita para poderem fazer lucro!” E esta, hein! Eles (os condutores de Toka-Toka não correm por isso?

No término da “passada”, dois ajudantes fizeram a questão de realçar os seus prestimosos serviços indicando que, para melhor servir e facilitar os citadinos, as linhas agora prolongam-se para além do estipulado. Por exemplo Quelelé agora prolonga-se até Bôr, enquanto Aeroporto estende-se até Djaal. Uma boa ação sem dúvida.

Eximiram de falar das lotações que só respeitam quando a Polícia de Trânsito está nas vias. “Cada trabalho tem o seu segredo!”

De duas linhas diferentes cobradores lançam vozes:

“Bairu! Bairu!”

“Quelelé/Bor! Quelelé/Bor!

“Aeroporto! Aeroporto”

“Nô bai!”

É assim que os cobradores animam as corridas dos Toka-Tokas (em português chega-chega), depreciado por muitos mas de grande utilidade para a grande maioria dos citadinos de Bissau, a grande metrópole guineense que hoje em dia conta com mais de 500 mil habitantes.

 

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